Desliguem as luzes, os papéis estão sendo queimados!
Nesta semana que passou, li uma matéria da revista Br História sobre A Guerrilha do Araguaia – movimento armado que objetivava derrubar o governo militar. De inspiração ideológica comunista, o levante foi duramente repreendido pelo Estado Militar. Teve início nos idos de 1966, durante até certa altura de 1974. Estima-se que 59 guerrilheiros, 16 soldados do Exército e dez moradores da região foram mortos no conflito armado. A abertura desses arquivos possivelmente traria-nos maiores esclarecimentos sobre os meandros do movimento.
O que nos choca é que, com o passar do tempo, o que os historiadores tanto pesquisavam, mas nunca haviam conseguido comprovar, é que os militares cometeram atos de exceção no Araguaia, prenderam muitos moradores da região, torturaram, executaram prisioneiros, violaram os direitos humanos, profanaram os corpos e agiram até mesmo conforme a Lei da Selva. O que restou disso tudo foram apenas cinzas do papel queimado e milhares de vítimas silenciadas e atiradas às favelas.
E sem esses documentos a nossa “pseudo história” fica mais uma vez sem solução, pois o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) anulou a decisão do TRF (Tribunal Regional Federal), que determinava o início dos trabalhos de abertura dos arquivos da Guerrilha do Araguaia e novamente começa a política do silêncio em que tudo acaba na calada da noite.
Como diz o historiador André Raboni: “Sinto-me alienado de minha própria História, pois a história do Brasil também é a minha história. Todos nós, cidadãos brasileiros, somos condicionados pelos efeitos de nossa estrutura histórica. E, sendo proibido o acesso a estas documentações, (por motivos escusos…), somos alijados de conhecer este passado.”
É aí que fica a duvida se ficaremos por muito tempo sem saber quem foram essas pessoas que cometeram as atrocidades e que muitos desses criminosos estão vivos, à solta, e gozando de conforto.
E esses corpos que estão desaparecidos, as famílias vão ficar sem o direito de enterrá-los vão continuar como indigentes?
Até quando vão nos fazer silenciar?
Angela Luciane
Que é mais um grito angustiado em meio a uma multidão silenciada






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