Tamanho 42 não é gorda!

Roubei descaradamente este título do livro da escritora Meg Cabot porque sempre que o vejo lembro de certos preconceitos.
O mesmo drama se repete todas às vezes em que tento comprar uma calça jeans. Quem é que nunca recebeu um olhar espantado ao pedir uma numeração 42, 44, 46, 48…? Passa de 5 anos o tempo em que uso mais ou menos essa numeração. Não lembro de ter usado outros tamanhos porque o corpo mudou rapidamente entre a infância e a adolescência. Logo, sempre achei normal vestir uma calça 42.
O problema é a moda que surge (ou volta) de repente e não se ajusta com tanta facilidade ao nosso corpo. Calças Skinny em um País de coxas, bundas e quadris todos bem avantajados, não são nada proporcionais. Tanto que li certa vez em uma reportagem de um jornal local que uma brasileira não deve usar este modelo a não ser que tenha o corpo da Kate Moss.

Obedeceríamos a essa regra se a maioria das lojas não vendesse essas calças estupidamente pequenas. Geralmente eu desconfio da opção e admito: “isso não vai servir em mim”, mas há insistência. Não culpo as vendedoras. Já passei pela experiência de usar todas as arte e manhas do convencimento para agradar um cliente.
Mas elas sempre garantem que a calça serviu quando saio do provador. Claro que serviu, com pedaços de corpo para fora que não couberam dentro da Skinny. Sem falar na pressão que o tecido faz contra o osso da pelve (a popular bacia). Não que eu entenda de anatomia. Entendo de conforto.

Às vezes é preciso deitar, puxar, quebrar algumas unhas e fazer toda a forma que conseguir para a calça entrar. “Mas depois ela laceia”, as vendedoras prometem. Mas enquanto isso não acontece, vou ter que trancar a respiração para sair de casa? E outra: não poderei sentar?
Não acredito quando as mães dizem que na época delas as mulheres não tinham aquela “gordurinha” na cintura, na parte de traz. Existia sim, mas a calça escondia. Hoje, como está tudo à mostra, é mais fácil ver os “excessos”, que não são tão graves assim, mas que não precisariam ficar aparecendo graças à falta de pano nas calças jeans.

Que está todo mundo usando a gente já sabe. Mas porque precisamos comprar justamente este modelo? E garanto: faltam opções. Esses dias voltei da loja com um jeans 42, o número de sempre. Não é exatamente uma Skinny, mas digamos que foi adaptada, porque não é larga nas pernas. Confesso que achei apertada, mas eu sei que não engordei e essa marca sempre me serviu muito bem. E não é por orgulho que não compro um número maior: é porque fica grande demais.
Agora é só esperar a calça se ajustar ao meu corpo para eu não precisa ficar arrumando-a toda vez que for sentar. Ou então esperar que celebridades descubram que wide leg pants também podem ser legais. Não que eu entenda de moda. Entendo de conforto.
Marina Fiamoncini
Que já teve momentos típicos de Bridget Jones





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