É coisa de maluco…

Em 2001, uma das chamadas do humorístico Os Normais mostrava Rui e Vani comendo um pacote de biscoito recheado. A cena cotidiana era acompanhada pela alegação da personagem de Fernanda Torres: “separar o biscoito recheado em duas partes é normal”. Outros comerciais citando exemplos de manias foram divulgados, como ler histórias em quadrinhos de trás para frente.
A fronteira entre o que é mania e o que é superstição é tênue. Enquanto os supersticiosos juram que seus pequenos gestos influenciam o destino, os maníacos sabem que seus hábitos são idiotas e irrelevantes. Não é à toa que maníaco também é sinônimo de louco.
Entre os meus dez e doze anos, eu tinha a mania de levantar da cama durante a madrugada para urinar. Sentia-me inseguro – sempre achava que minha bexiga estava suficientemente cheia para esvaziar durante o sono. Chegava a ir ao banheiro quase dez vezes numa noite. A este hábito destrutivo dá-se o nome de TOC – Transtorno obsessivo-compulsivo. Felizmente estou livre desta praga, apesar de conservar algum fanatismo pelo simetria bilateral.
Saindo do terreno obscuro ocupado pela psiquiatria, cleptomania, ninfomania e outras, os pequenos hábitos do dia-a-dia não deixam de requerer uma análise mais acurada de um discípulo de Freud. Fico irritado quando o número de decibéis da televisão não é múltiplo de cinco. A ordem das janelas que fecho antes de dormir é imutável. Tenho ojeriza a garfos posicionados à direita dos pratos. De alguma maneira, minha vida parece mais lógica quando essas pequenas regras são respeitadas.
Francisco Antônio Machado da Silva
Que também tem o benéfica mania de escrever





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