Tropa de Elite

A polêmica em torno de Tropa de Elite (2007) começa antes de sua exibição nos cinemas e vai além da trama. Durante a produção do filme, armas cenográficas foram roubadas de uma van da equipe. A pirataria conseguiu um feito inédito no Brasil em distribuir o filme com dois meses de antecedência ao lançamento oficial. Além disso, a força policial retratada no longa quer impedir judicialmente a exibição e distribuição do filme. Detalhes de um cotidiano muito mais complicado do que a ficção pode mostrar.
O filme é uma produção nacional, baseado, segundo os créditos, no depoimento de 12 policiais e um psiquiatra das Forças Policiais do Rio de Janeiro. O longa ficcional mostra a ação na cidade do Rio de Janeiro do temido Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar. A história acompanha parte do cotidiano do líder de uma das equipes, Capitão Nascimento (interpretado por Wagner Moura), com seus dilemas entre servir a corporação e dar atenção à esposa e ao primeiro filho.
Na guerra do cotidiano mostrada na tela, o Capitão Nascimento tenta cumprir suas ordens e encontrar um substituto a sua altura entre os aspirantes Neto (interpretado por Caio Junqueira) e André Matias (interpretado por André Ramiro). Tudo isso enquanto enfrenta um chuva de balas de rifles capazes de atravessar carros como papel e percorre becos labirínticos das favelas nos morros.
Apesar da habitual violência que preenche as produções do cinema brasileiro, Tropa de Elite impressiona. A filosofia do atirar primeiro e perguntar depois é explorada constantemente. A realidade nua e crua está nas ações e intenções, com os chamados esquemas dos policiais corruptos, na rede de influências que alimenta o orçamento extra de alguns oficiais e da frieza dos “uniformes negros” em combater o crime organizado comandado por bandidos e por policiais corruptos.
O diretor José Padilha deixa evidente o seu estilo de não apontar culpados pessoais, mas sim sociais. Assim como em seu documentário Ônibus 174, Padilha molda os personagens com as estatísticas e os idealizadores sociais publicados diariamente nos jornais. Como na produção anterior, o diretor deixa claro que as pessoas estão à mercê de um “sistema”, como se fosse atestada a teoria do filósofo Rousseau, de que o homem é bom e a sociedade o corrompe.
O elenco, além dos artistas, é formado por atores sociais do “sistema” através do modo de encarar a vida de cada grupo. Há a Polícia Militar, que tenta sobreviver equilibrada na tênue linha do servir e proteger. Os universitários bradam discursos carregados de ideologia positivista, mas são consumidos pelos próprios vícios. Os políticos e o jogo do bicho financiam as práticas. Por sua vez, o tráfico aparece como um mero elo entre as más intenções de todos os outros. Já o Bope é uma força inabalável, que utiliza até mesmo tortura e execuções sumárias para cumprir seus objetivos, mas, como cantam, “tem guerreiros que acreditam no Brasil”. Ou seja, os fortes resistem, os suscetíveis se adaptam e os fracos padecem no “sistema”.
A própria polêmica quanto à distribuição do filme serve para comprovar algumas das idéias apresentadas. Caso seja mesmo um roubo será provada a eficiência dos “esquemas” do crime organizado. Há também a teoria, para os mais obsessivos com conspirações no “sistema”, que o longa vazou de propósito, para burlar a censura e para que fosse mostrado o o porquê da justiça cobrir os olhos no Brasil. Seja qual for a verdade, ela impressiona.
Tropa de Elite
Direção: José Padilha
Gênero: Ação
Tempo de Duração: 110 min
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Estúdio: Zazen Produções
Joel Minusculi
Que viu uma cópia não obtida através de pirataria ou camelô.





tô procurando um tempinho pra ver este filme também.
depois que assistir volto a comentar.
;*
vocês falaram tanto do filme ontem que agora eu também to super curiosa
hauiahuiahuiua!
[...] Tropa de Elite trouxe uma grande contribuição para a sociedade brasileira. Apesar do diretor José Padilla afirmar que o filme na verdade mostra o lado ruim da polícia e que não é legal a ação do B.O.P.E., o protagonista do longa acabou por se tornar um herói nacional. Até mesmo Wagner Moura, ator que interpreta o personagem, diz ser contrário a ação interpretada. Mas não teve jeito. [...]