Diálogos universitários

“Combinamos acreditar nas coisas erradas” – William Waack
Muito interessante o formato do evento Diálogos Universitários, com o jornalista William Waack, terça-feira, na FURB. Meia hora de ‘palestra’ e depois abriu-se espaço pra perguntas durante mais de uma hora. Em termos cultos, o jornalista “jogou merda no ventilador”. Sobraram até alfinetadas à própria Rede Globo de Televisão, embora muita gente provavelmente não tenha percebido no termo ‘dissidente’ que o jornalista empregou durante toda a noite.
A geração que viveu durante a ditadura militar vive, hoje, uma “profunda decepção com a despolitização paulatina da população”, afirmou. Entre outros temas, o jornalista falou sobre previdência social, cpmf, informalidade do emprego e pirataria. Foi uma longa discussão, muito produtiva. Respondia às perguntas de forma incisiva e direta, sem deixar margens para dupla interpretação.
Comparando as passagens de William Waack e Paulo Henrique Amorim por Blumenau neste ano, penso que o discurso defensor do governo (com milhões de dados estatísticos) foi deixado para trás pela competência persuasiva do âncora do Jornal da Globo. Prestando atenção nos dois discursos, acho que existem realmente dois “Brasis”. Um que vai ser uma potência (Paulo Henrique Amorim) e outro que é “um continente de costas pro mundo, no fundo” (William Waack).
Em qual Brasil você acredita?
Thiago Floriano
http://thiagofloriano.net
Dia ótimo para viagens

Queria que o horóscopo servisse de desculpa válida para não cumprir algumas obrigações diárias. Pelo menos quatro vezes por semana todos os aquarianos, como eu, estão propícios a fazer viagens produtivas, isso segundo as previsões do jornal que leio diariamente.
Não que eu não tenha mais o que fazer, mas existe algo que me prende a este costume. Passar pelas páginas sem dar uma olhadinha é praticamente impossível, a não ser que seja um jornal antigo, o que é proibido. O problema é que costumo ficar com a pior previsão de todos os horóscopos que leio (três na média), principalmente aqueles que dizem “dia de maus fluídos nos assuntos amorosos” ou “não tente nada de inovador no trabalho: você irá se arrepender”. É justamente neste dia que algo de muito ruim vai acontecer.
Depois que assisti “O Segredo” evito ler o horóscopo para não me deparar com previsões trágicas, acreditar fielmente nessas idéias e deixar que o universo inteiro leia meus pensamentos. Nunca se sabe o que existe entre o céu e a Terra, não é mesmo?
Talvez o horóscopo seja trauma de início de “carreira”, quando a filhote de foca aqui, com zero de experiência, foi destinada à difícil tarefa de consultar os astros e ver o que eles trariam para você sagitário (capricórnio, escorpião, touro…) amanhã. Na verdade filtrava previsões de algum site. E confesso que nos dias em que elas não eram atualizadas eu copiava de algum dia anterior. Ninguém nunca reclamou.
Só tive esse problema com o resumo de novelas. Não assistia, mas sabia do nome de todos os personagens. Na hora de enxugar o texto para caber na página deixava os “babados mais fortes”, o beijo da semana ou um assassinato. Mas eis que em uma bela manhã um leitor ligou dizendo que sua mãe quase centenária lia o resumo todos os dias e não era a primeira vez que reclamava de capítulos repetidos. Eu podia jurar que ninguém lia aquilo.
Vai ver é por isso que me sinto presa ao horóscopo: já o trai e não tive a menor ética com essa informação tão importante na vida do leitor. Uma amiga dizia: “escreve coisas legais que eu leio”. De certo as pessoas que fazem os horóscopos atualmente não tem esse tipo de amiga.
E se eu levasse isso mesmo a sério? Se eu largasse tudo para viajar naquele “dia ótimo para viagens”. Se der certo posso até escrever um livro: “O segredo está em jogar tudo para o alto e passar férias prolongadas no Tahiti”. O único problema será a versão 2: “Joguei tudo para o alto, e agora?”.
Coisa complicada essa de horóscopo, acho que vou começar a fazer palavras-cruzadas.
Marina Fiamoncini
Que só acredita na teoria da atração de pessoas





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