Sobre internet e ironia

Publicado em Internas, Opinião por William em 29/05/2008

Neste um ano e um dia escrevendo no PegaNoMeuBlog, cheguei a várias conclusões, umas boas e outras aterradoras. O blog, que tenho como um filho, em que participei da concepção, do desenvolvimento e da fase adulta me fez perceber coisas como as infinitas possibilidades que a internet, o aumento da tolerância da sociedade no que toca os direitos das minorias do país e de como a ironia parece estar caindo em desuso.

Sobre o primeiro ponto, me espanto como a internet pode ser o espaço que faltava aos jornalistas (formados ou futuros). A mídia que traz aos ’sem mídia’ um espaço gratuito e vasto para se expressar, me fez pensa como este meio de comunicação/entretenimento tem um potencial ainda inexplorado.

Já sobre a percepção de que as minorias estão sendo mais respeitadas e vêm recebendo um tratamento mais digno, me encho de esperança, imaginando que esta é apenas a ponta do iceberg. Apesar de sempre haverem os que preguem contra uma sociedade justa e plural, muita gente vêm percebendo que o que fez a humanidade chegar onde chegou, foram as diferenças interagindo.

E para finalizar este humilde post de aniversário, dei muitas risadas ao ler os comentários de um de meus posts em específico, em que tratei de modo irônico a forma como muitos heterossexuais mal resolvidos costumam tratar o tema ‘casamento gay’. Até hoje, quase seis meses depois de publicado, ainda recebo comentários com críticas duras e algumas vezes até ofensivas sobre o texto, que na verdade, trata com bom humor um assunto ao qual, se bem observado, eu defendo com fervor em outros textos. Mas quem sabe, um dia as pessoas voltem a entender as pequenas ironias, que suavizam preconceitos duros e temas pesados, como no título deste texto.

William De Lucca
Que espera que este blog dure mais 500 anos!

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Fim, o começo

Publicado em Concurso, Literatura por Colaborador em 29/05/2008

Fim.

As lágrimas acariciavam sua face ruborizada e quente, a respiração ofegante e os olhos inchados eram símbolo de sua angústia, os soluços quebravam o silêncio ensurdecedor, ela jazia sentada sozinha no sofá da sala, pensativa, lamentando aquele rompimento.

Ele descia as escadas bufando, chorando, soluçando, socando a parede, inconformado, sentindo-se rejeitado, infeliz, perdido, era uma sensação de tristeza e vazio tão profundo que palavras faltavam para descrever tamanha desolação. Não conseguia aceitar o fato de que a mulher que amava o havia aniquilado com aquele rompimento abrupto.

Romperam.
Ele se irritou também, não podia mais fazer nada, havia pedido desculpas, mas não parecia ser suficiente, algo estava errado, sentia uma ponta de preocupação de que o fim era iminente, sentia-se impotente. Discutiu com ela, proferiu palavras das quais se arrependeria mais tarde.

O clima era tenso, começaram a discutir, ela começou a chorar, desabafou, estava irritada, desencantada, não conseguia perdoa-lo pela falha, havia um tempo que as brigas por motivos corriqueiros tomaram conta do cenário daquele relacionamento. Os laços estavam por um fio.

Chegou ao apartamento dela, ansioso, preocupado, havia se atrasado um bocado, ela provavelmente estaria chateada. Ela abriu a porta, estava transtornada, foi pouco receptiva, aquilo foi um choque para ele, tamanho era o desprezo e a frieza. Pediu desculpas, disse que errou em não avisar sobre o chamado, compreendia sua falha, mas não foi suficiente.

Ele foi chamado de urgência, sua vizinha passava mal, médico é médico 24h por dia, não podia negar aquele chamado, até por que se tratava de uma pessoa querida. O exame clínico demorou um pouco. Orientações aqui e ali, o horário passou, sua namorada ligou nervosa, afinal de contas haviam combinado de sair, e ele não havia dados satisfações sobre o urgente chamado, havia se esquecido de tal, não o fizera por mal. Tratou de fornecer as últimas orientações, carimbou o pedido de exames e saiu, sentia saudades de sua namorada.

O dia havia amanhecido calmo, ensolarado, porém frio. Os pardais nos fios dos postes cantarolavam displicentes, ele despertou sentindo-se bem, bocejou. Levantou-se da cama e foi se arrumar, iria encontrar sua amada em alguns minutos, estava feliz.

Ela despertou cedo, precisava ainda arrumar algumas coisas em casa, não era fácil morar sozinha, era moça e adulta, tinha responsabilidades, sem contar o sem número de trabalhos que deveria ainda realizar para a faculdade. Preparou-se ansiosa, iria encontrar seu namorado ainda naquele dia, não queria se atrasar.

Havia um tempo que começaram a namorar, já eram amigos há muitos anos, já haviam se relacionado antes, quando eram ainda muito jovens. Desta vez, estavam decididos, era um relacionamento sério, um namoro sólido, no sentido da palavra, estavam felizes.

O encontro foi por acaso, após anos distantes, o reencontro se deu através de uma ligação aleatória e avulsa por parte dele, foi incomum o modo como aquele relacionamento tomou corpo. Algo mais forte existia entre aquelas duas pessoas, eles precisavam se (re)conhecer.

O começo.

Manssur Gustavo Cassias Pereira

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