Sobre o fato de confessar

Em tempos de liberdade de todo tipo de expressão, “censurar” a publicação de um texto em um espaço livre como a internet gera discussão. No caso deste blog, o que causou controvérsias na redação foi o recebimento de um texto que narrava uma relação sexual de uma menina quando tinha apenas 14 anos. Com linguagem pejorativa e um texto pobre e de mau gosto (essa opinião é minha), ficou a dúvida: publicar ou não?
Vivemos em uma época onde o diálogo e a comunicação entre crianças e adolescentes são incentivados e a mídia aborda temas sensacionalistas o bastante para nos fazer aceitar condições absurdas. O texto trata de uma situação realista e comum, mas não acho que seja normal. Eu ainda consigo me chocar com coisas que leio ou escuto, com a música de baixo nível que existe no Brasil e a desvalorização da mulher em programas televisivos. Sei que não sou a única.
Por um lado o texto serve como exemplo para muitas meninas para que não sejam tão confiáveis e pensem mais sobre a forma que querem iniciar novas etapas na vida. Por outro, traz a tona o sexo prematuro, em uma idade onde não há tanta responsabilidade ou consciência dos atos cometidos. A meu ver, somos responsáveis por aquilo que mostramos aos leitores/internautas. Não estou menosprezando a inteligência dos jovens, mas prezo pela responsabilidade nas publicações. Também sou consumidora de informação e algumas vezes preciso me deparar com notícias medíocres e não posso nem ao menos decidir se quero ler aquilo.
O texto finaliza com uma dica promíscua, certamente pessoal e que será lida por menores de idade, mas o que mais me intriga é a forma como a autora se permite a submissão não somente masculina, mas de valores. Aliás, valores estão quase extintos na sociedade, mas não é por isso que devemos se conformar já que o mundo está “todo perdido mesmo”. Essa minha resistência com esse tipo de publicação não é uma questão de femismo, orgulho, conservadorismo, falso moralismo ou coisas do gênero. É uma questão de respeito e responsabilidade.
Marina Fiamoncini
Confissão de Emanuelle
Me chamo Emanuelle,
tenho 19 anos e resolvi contar um pouquinho da minha estória pessoal…
Sempre fui muito ligada a sexo, desde menina, mesmo quando ainda não entendia a razão de no banho aquela pressão da água ser tão gostosa. Aos poucos veio o entendimento, as revistas de sacanagem que ficavam escondidas debaixo do colchão da cama do irmão mais velho e eram vistas furtivamente enquanto todos dormiam, os filmes entre amigas e os comentários, já que eu sempre andei no meio de pessoas mais velhas. Digo, mais velhas do tipo, quando eu tinha 11 anos, andava com a galera de 16, 17, que já conversava sobre o assunto. Acabei me inteirando de tudo bem cedo. Aos 12 e 13 anos a diversão era o beijo na boca na matinê. Cada semana um diferente e isso que era legal.





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