Coisa que só criança pode…

Posted in Comportamento, Relato by Colaborador on 16/07/2007

 

Freqüentemente me pego sonhando em voltar a ser criança pelos motivos mais simples, como ganhar picolé depois de ir ao dentista, brincar com massinha de modelar sem parecer mentalmente perturbada, poder usar o escorregador do colégio que passo todo dia quando vou trabalhar, pedir para o meu pai uma bicicleta com cestinha, falar apenas na língua do “P” e ficar fazendo careta pro carro de trás no congestionamento.

 

Esses dias fui no centro da cidade pagar umas prestações, coisa que criança não tem, pois ganha tudo dos pais e vi uma garotinha vestida de Branca de Neve, toda feliz rodando o seu lindo e nada discreto vestido. E não era Carnaval, nem Halloween, nem data alguma que pedisse trajes incomuns. Ela apenas quis se vestir assim porque estava com vontade. Por onde ela passava, todos olhavam com cara de bobo e faziam “Ahhh que lindoooo!!!!

Agora imagine se EU resolvesse sair de casa fantasiada de personagem de contos de fadas. Desconfio que as reações seriam bem piores das que já provoco quando uso um anel em cada dedo, cinco borboletinhas na cabeça, bota com vestido ou uma maquiagem com mais cor. Hunff, que injustiça!!!

Outra vantagem de ser criança é poder falar o que der na telha. Coisa que de vez em quando eu insisto em fazer mesmo estando crescidinha. Já pensou voltar a poder cantar no supermercado, bem alto, aquela singela canção “Cuelhinho, se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e enfiava no seu (bis)”. E “Cuca foi no mato, caçar tatu, apareceu uma cobra e picou o seu (bis)”, ou qualquer outra musiquinha que fazia a sua mãe levar você pra conhecer o banheiro do lugar que você escolheu para dar o showzinho.

Também tem algumas piadinhas sem graça do tipo “é Pavê ou pacumê” que só alguém com menos de oito anos é autorizado a fazer, excluindo seu tio metido a humorista que sempre abusa da “breja” nas festas de família ou um amigo sem noção que adora aparecer, mas deixemos isso pra outro texto.

Às vezes dá uma vontade de perguntar “praquela” mulher mal humorada que trabalha no mesmo setor que o meu: “No verão como sua a bunda, né?”. Ou “você tem dado em casa?”. Ou “Você cuzinha pra 20 comer?”. E ainda ficar dando risadinhas da cara da pessoa, que logicamente não entendeu nada. Criança que faz isso é “espirituosa” e “bem humorada”. Adulto é pentelho mesmo.

Já pensou poder chegar para alguém e falar “o seu cabelo é pintado com papel crepom?”. E poder responder “Ave-Maria cheia de graça…” ou “a mesma de ontem” para alguém que lhe pergunta as horas, sem receber olhares de reprovação.

Antes eu era engraçadinha, hoje quando faço uma gracinha sou chamada de criançola, assim não vale. Vou contar tudo pra minha mãe…

 

 

 

Fátima Barbi
Que é uma criança adulta e se orgulha muito disso!

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Uma resposta

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  1. Raquel said, on 16/07/2007 at 1:58 pm

    Adorei o humor!!! Fiquei pensando nas caretas que eu poderia fazer a medida que ia lendo o texto…

    Parabéns!!! Eu sairia de branca de neve, mas não curto essas coisas. Acho sensacional quem tem esse desprendimento!!

    Não ligue para os olhares de “reprovação”. Cante aquela velha-nova musiquinha que tem se tornado um mantra… “vai tomar no… Bem no olho do seu…”

    [:D]


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