Três vezes jornalismo em Blumenau

Posted in Opinião, Relato by Colaborador on 10/10/2007

Este ano foi uma bela resposta aos ávidos críticos que dizem que Blumenau e região nunca trazem bons profissionais para palestrar aos seus estudantes. Pelo menos os alunos de jornalismo não tem do que reclamar. Em Abril, Ricardo Noblat. Em setembro, Paulo Henrique Amorim. Em outubro, William Waack.

Foram, sem dúvidas, três eventos bastante diferentes. E, mesmo com os dois últimos falando sobre o mesmo assunto, foi perceptível a pluralidade de idéias e formas de expressão que o jornalismo nacional apresenta. Mais do que qualquer coisa, o mais importante é ressaltar que, para os três, a imparcialidade já morreu. E faz tempo.

RICARDO NOBLAT
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

Autor do já clássico A Arte de Fazer um Jornal Diário, Noblar esteve em Blumenau para falar sobre um outro jornalismo que está se reinventando através dos blogs. Durante quase uma hora, o jornalista discursou sobre o crescimento da blogosfera, enfatizando números publicitários e falando sobre a importância dessa nova ferramenta para decisões socialmente importantes e formação de opinião.

Destaco dois aspectos muito interessantes do Noblat, ambos muito positivos. O primeiro deles foi a abordagem utilizada durante a palestra. Noblat manteve o bom-humor e a simpatia, conseguiu pretender a atenção de todos e usou de uma fórmula infalível de credibilidade: utilizou poucos dados (e certamente os mais chocantes) e muita experiência própria. O segundo foi a forma como ele nos recebeu depois da palestra. Conversou com os alunos de jornalismo, debateu a parcialidade (sem em nenhum momento defender o contrário), autografou livros e bateu fotos.

Pontos fortes
Conteúdo fresquinho sobre os blogs, muito bom humor e uma tentativa de mostrar aos empresários que o jornalismo opinativo não é coisa  pro futuro – já é realidade.

Pontos fracos
O público (que além de alguns gatos pingados da área) era composto por empresários e pessoas pouco ligadas ao fenômeno da blogosfera e a falta de dados um pouco mais técnicos (o que é explicável por não ser o próprio Noblat o responsável por essa parte da sua página).

PAULO HENRIQUE AMORIM
http://conversa-afiada.ig.com.br/

Palestra realizada na inauguração oficial da TV Record em Blumenau, Amorim falou sobre a atual conjuntura econômica e política nacional. Mostrou-se avesso a tecnologia do PowerPoint e levou consigo uma série de papéis com muitos números. Todos pró-Lula. De todas, foi a menos jornalística.
Amorim usou de algumas boas histórias e vários fatos sobre a economia nacional, várias fontes internacionais e apresentou o Brasil como ele é visto lá fora – ou não. A diversidade de fontes foi, certamente um dos pontos altos. Como não poderia deixar de ser, o “olá, tudo bem?” foi uma atração a parte.

Pontos fortes
Não tinha como duvidar do que ele falava. Apontou diversos dados, estatísticas e fontes que comprovavam o que ele dizia.

Pontos fracos
Já no início de sua fala, Amorim tentou contornar a imagem de petista que assume, embora durante toda a palestra não tenha levantado sequer um

WILLIAM WAACK
http://williamwaack.globolog.com.br/

Realizada através do projeto Diálogos Universitários, a palestra com William Waack foi realizada com o intuito de aproximar o profissional dos acadêmicos. Meta totalmente cumprida. Waack falou sobre política, economia e educação e de todos os assuntos pertinentes ao país. Mostrou uma oralidade impecável, muito conhecimento de causa soltou algumas frases muito fortes.

Waack se mostrou extremamente confortável para tratar de assuntos polêmicos que envolviam os bastidores da Rede Globo. Especialmente quando questionado sobre o posicionamento da emissora nas eleições, o apresentador do Jornal da Globo comentou sobre o processo de decisão sobre a conduta jornalística adotado.

Pontos fortes
Transpirava jornalismo por todos os poros, fez ferozes críticas as novas gerações e se mostrou parcial mas não incoerente (especialmente quando, depois de atacar Lula, disse que concordava com algumas atitudes dele). Um ponto fortíssimo é estilo do evento, um debate em que os acadêmicos puderam perguntar, opinar e comentar.

Pontos fracos
Quando a pergunta dividia-se em duas ou mais, geralmente se prendia numa das questões.

 

Marina Melz
Que foi nas três e queria muito mais

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5 Respostas

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  1. Larissa Tietjen said, on 11/10/2007 at 9:32 am

    Gostei deste post. Eu que não fui nas palestras pude ter uma visão legal das coisas…Parabéns Mah!

  2. Joel Minusculi said, on 11/10/2007 at 9:47 am

    Só para completar a palestra do Noblat:
    – Pontos fortes: O coquetel no final, em que o Noblat pediu fogo para o charuto para mim (!). Além da conversa informal com a gente…
    – Pontos fracos: O cara que quis me repreender por “algumas” camisetas que tinham falha.

  3. Marina Melz said, on 11/10/2007 at 10:24 am

    hahaha é verdade! camisetas da hering mil!

    obrigada, Lari! espero ter mais possibilidades de passar por aqui! 🙂

  4. Felipe said, on 11/10/2007 at 4:26 pm

    Droga, não fui em nenhuma.
    Pelo menos vou na do Noblat em Floripa dia 17.
    😉

  5. Fábio Ricardo said, on 11/10/2007 at 6:41 pm

    fui apenas na primeira, infelizmente. Achei que foi pouco próxima do real, infelizmente tbm. Apesar de estar super antenado com o tema, Noblat esqueceu que ele pode viver de blog, mas só ele. A gente não ,tem que ralar pra ganhar dinheiro em empregos que não valorizam a autoria das informações, muito menos opinião própria.


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