Hilário… no elevador

Posted in Comportamento, Literatura by Colaborador on 30/10/2007

 .

Tem coisas que acontecem com a gente e a ficha só cai depois…
Entrei no elevador com meus dois filhos e mais um morador “muito estranho” do prédio, que só encontro de 3 em 3 meses…
Fazia um calor danado, e o mais velho (7 anos) tomava o restante do sundae que havia comprado.
– Está gostoso o sorvete? perguntei.
– Estava uma delícia…
– Ahh coitado… (disse o “ser estranho” com um sotaque que parecia francês)
– Como? (perguntei)
– Quantos anos ele tem? Um ano e meio? (perguntou o “ser estranho” referindo-se ao meu filho menor)
– Não, já fez dois!
– Ahh coitado…
– Ele ainda chupa chupeta?
– Sim.
– Ahh coitado…
– Coitada de mim, isso sim. (reclamei tentando fazê-lo cair na real)
– Ahh coitada… Você é judia?
– Não, porque? (respondi, já saindo do elevador)
– Porque parece… (ele ficou parado, segurando a porta do elevador, enquanto eu saia com as crianças)
– Você está tomando algum remédio? (perguntou)
– Não. (Disse, já querendo agredi-lo)
– Ahh coitada…. Vai ver não faz mais efeito! (Deu uma sonora gargalhada e se despediu, dizendo novamente: Ahh coitada…)

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Meu filho saiu do elevador e perguntou:
– Quem era aquela mulher esquisita?
– Não era mulher não, era um homem. (Respondi)
– Ahhh

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Que “ser estranho” era aquele? De onde vinha? Que língua falava?
Pensei que ele fosse da Índia, pela cor da pele, pela postura e pelas jóias que usava. O cabelo bem escuro estava amarrado como rabo de cavalho e ele usava óculos Dolce Gabana preso no alto da cabeça.
O “ser estranho”, pelo visto, é exigente e antenado. Deve ter uns 50 anos, gosta de roupas boas, sapatos de couro legítimo e bolsa Louis Vuitton. Para completar o visual, um perfume do tipo impregnante…
Carregava uma sacola com lanche do Bob´s e uma revista importada. Não consegui ver qual era… afinal foram apenas em alguns segundo em que conversamos. Não sei nem como pude observar tantos detalhes, não costumo ser uma pessoa assim. Mas, acho que não pude evitar. Uma figura assim, não é toda hora que encontramos.

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Sai do elevador sem entender o que havia acontecido. Que conversa doida!
Pensei que ele era comissário de alguma empresa aérea, já que uma vez o vi com uniforme azul e lencinho no pescoço.
Mas, estava errada. As aparências enganam, não é mesmo?
Soube pelo porteiro que ele é brasileiro, passa uns tempos por aqui e outros em Copacabana, onde também tem apartamento. Adora carros ultrapassados (têm dois fusquinhas e uma belina), cheios de adesivos dos lugares em que viajou.
Apesar de ter grana, herdada dos pais, vive por aí, viajando sabe-se lá por onde. Mora só e adora puxar um papo longo com os moradores e porteiros, que já fogem ao menor sinal de conversa.
Adora dizer que se chama Eduardo. Mas seu nome verdadeiro é Hilário.
Só podia ser Hilário mesmo.
Ahhh coitado…

Por Andrea Drewanz

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2 Respostas

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  1. Marina said, on 31/10/2007 at 9:45 pm

    é dentro do elevador que percebemos os comportamentos mais estranhos e os assuntos mais imbecis!

  2. joão marcos said, on 09/04/2009 at 2:49 pm

    esse seu conteudo e muito bommmm

    http://www.mundosubliminar.xpg.com.br


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