O encontro

Posted in Crônica, Literatura by Colaborador on 06/11/2007

O céu estava limpo. Não havia uma nuvem para atrapalhar aquele azul tão bonito. O sol radiava e Júlia não conseguiu mudar seus pensamentos. Já havia passado muito tempo desde que eles se viram pela última vez. Outros vieram depois dele, e muitas outras passaram por ele depois dela, mas sentia como se nada tivesse mudado. Fechou os olhos e conseguiu sentir o seu abraço. Sentada na areia clara, pensou ter conseguido sentir até mesmo o seu perfume.

Carlos interrompeu os pensamentos melancólicos e resolveu sair de casa. Ficar lamentando o passado é muito triste. Ainda mais quando se tem o Sol e o futuro lhe esperando. Foi até a praia, caminhou descalço pela areia e só conseguiu pensar em bons momentos e na saudade que ficou. Fechou os olhos e conseguiu ver aqueles olhos azuis brilhando para ele. Paralisou. Começou a questionar o que a teria feito desistir daquele sentimento bom que havia entre os dois.

Júlia abriu os olhos novamente. Tudo estava como antes, as cadeiras dos bares na areia, o mar verde e agitado, a cerca que divide a areia da restinga. Era impressionante que numa quarta-feira de Sol ela tenha conseguido um lugar quieto, longe da badalação que aquela praia sempre teve. Estava tudo tão calmo que se não fosse aquele garoto caminhando pelo mar, poderia dizer que o tempo havia parado.

Enquanto andava com os pés na água, Carlos tentou se convencer de que o fracasso de seu último relacionamento não teve culpado, foi apenas o destino. Notou que a praia estava calma, então se acalmou com ela. Havia apenas uma pessoa sentada na areia e falando sozinha. Carlos achou engraçado, e não conseguiu tirar os olhos da garota. Conforme ia se aproximando, mais curioso ficava. Parou para ver até onde iria a história que a garota contava para ela mesma fazendo mil gestos, enquanto observava o chão.

Em meio ao monólogo que travara sozinha, Júlia estende as mãos e levanta a cabeça, e ainda de boca aberta dá de cara com o garoto que vinha caminhando. Ele estava ali, parado bem na sua frente. Quando seus olhares se encontraram Júlia viu o rosto do garoto ruborizar e sentiu pena de si mesma.

Pego fuçando os mais íntimos sentimentos daquela desconhecida, Carlos se sentiu envergonhado. Deu um sorriso sincero de desculpas, e também de apoio, pois parecia que ela estava na mesma situação que a dele. Pensou em dizer algo, mas achou melhor continuar a caminhada, não poderia ajuda-la, nem mesmo conseguira ajuda-lo.

Júlia devolveu o sorriso e esperou que ele dissesse alguma coisa. Mas ele não disse. E ficou observando o garoto ir embora como se fosse um anjo, que interrompeu seus pensamentos ruins com um sorriso e a deixou ali para seguir o seu próprio caminho.

Lilian Philippi
Que sempre vai à praia conversar com o mar

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2 Respostas

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  1. Felipe said, on 06/11/2007 at 2:41 pm

    Uauuuu Lilian.
    Muito bom o seu texto. Parabéns!

  2. Marina said, on 09/11/2007 at 3:05 am

    Lilian investindo em outros estilos…


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