Vampiros e Ópera

Posted in Comportamento, Música, Relato by Colaborador on 03/03/2008


Caros Amigos,

Abrir a semana com vampirismo não é exatamente suave, mas o tema musical de hoje está entre os mais belos de todos os tempos.

Nas primeiras sombras do final do dia, abrem-se olhos vítreos a imagens repetidas há séculos.

Mais nada por saber ou aprender, só a complacência diante do eterno.

Vampiros.

De Drácula a Nosferatu,

De Lestat, Louis, Claudia e Armand de Anne Rice, estes seres brincam com nosso imaginário, com nossos desejos e temores.

Em 1983, Tony Scott dirigiu The Hunger, filme com as belíssimas Catherine Denevue e Susan Sarandon e ainda de quebra David Bowie.

Miriam (Catherine Deneuve) e John (David Bowie) vivem juntos há séculos.

Possuidores do segredo da vida eterna alimentam-se de sangue humano e vivem de modo sofisticado em Manhattan.

No entanto, John repentinamente é acometido de um distúrbio celular que o envelhece em poucos segundos.

Johnvai procurar com a doutora Sarah (Susan Sarandon), famosa especialista em envelhecimento.

Com a eminente perda de seu companheiro, Miriam começa a ver na doutora a substituta para seu grande amor e uma companheira para acompanhar a sua solidão.

A trilha sonora, além de temas originais de Michel Rubini e Denny Jaeger, incluía o rock do Bauhaus e temas clássicos de Schubert (1797 – 1828), seu Trio em E-flat Opus 100 e o famoso “dueto das flores” (Viens Mallika Dome Epais Le Jasmin) da ópera Lakmé do francês Léo Delibes (1836 – 1891).

Delibes, homem sério, bem casado e feliz, construiu uma carreira sólida como compositor e quando morreu aos cinqüenta e cinco anos deixou apenas um trabalho inacabado.

Lakmé é uma ópera em três atos.

Estreou em 14 de abril de 1883, em Paris.

A ópera passa-se na Índia, durante o período do domínio Britânico.

Naquele tempo havia interesse por óperas exóticas como Madame Butterfly e Turandot de Puccini, Aida e Nabuco de Verdi, o Pescador de Pérolas de Bizet, A Italiana em Argel de Rossini dentre outras.

Mesmo que em épocas diferentes, a busca pelo exótico marcou muito a ópera romântica e pós-romântica.

Ato I

O primeiro ato se passa num belo jardim, com os fiéis de Brahma, o deus dos hindus.

Nilakantha faz uma reunião secreta, pois o culto aos deuses hindus foi proibido pelos britânicos.

Lakmé junto ao coro faz uma oração aos deuses Durga, Shiva e Ganesh.

Lakmé junto às flores e Mallika preparam um banho para a sacerdotisa e cantam o dueto das flores.

Os soldados britânicos buscando conhecer os costumes inusitados dos indianos entram no jardim.

Frederik então os adverte de não tocar nas flores, pois podem conter veneno.

Gerald, deixando seu bom-senso de lado, diz que irá desenhá-las.

Voltam Lakmé e Mallika, e então Mallika pergunta por que é que Lakmé não está feliz e Lakmé diz: “as flores são mais belas”.

Lakmé vê Gerald e grita, os servos aparecem e Lakmé diz que não foi nada e pede que eles chamem seu pai.

Num ambiente separado estão Lakmé e Gerald.

Ele está fascinado com Lakmé, e pede para ficar, Lakmé diz que não e pede para que ele se vá, então aparece Nilakantha, que não vê Gerald, mas ao saber que sua casa foi violada, diz que agora tem mais ódio sobre a Inglaterra e seu povo.

Ato II

O segundo ato passa-se em uma praça da cidade, perto da casa de Nilakantha, em que acontece a feira com muitos indianos e britânicos…

Aparece Gerald e Ellen, agora sua noiva e Frederik os alerta que na manhã seguinte deverão perseguir os rebeldes.

Surge Lakmé e seu pai, caracterizados de mendigos, em busca do Inglês que violou sua casa.

Lakmé tenta proteger Gerald dizendo que ela não sabia quem o fez.

Nilakantha não ouve os clames de sua filha.

Nilakantha insiste, mas quando Lakmé vê Gerald ela desmaia nos braços do pai.

O pai jura se vingar dos ingleses, e se retira.

Lakmé pede a Hadji para que ele prepare tudo para ela e Gerald irem para uma cabana.

Aparece Nilakantha e apunhala Gerald.

Nilakantha sai pensando que o matou, mas Lakmé nota que ele está levemente ferido, e o leva para sua cabana.

Ato III

Já no bosque Lakmé cuida de seu amado, e ao notar de que seu pai está vindo, prepara uma poção de ervas venenosas para morrer, e assim santificar Gerald e a si mesma..

Ao chegar ao bosque Nilakantha fica sabendo que sua filha virou uma deusa, e que não pode matar Gerald.

Lakmé, uma ópera e sua música.

A ópera Lakmé, não é um épico do mundo da música, mas não quer dizer que seja uma ópera ruim.

Sua música talvez seja a melhor da grand ópera francesa na década de 1880 e mesmo com o romantismo exacerbado do libretto, sua orquestração é boa, e há trechos em que se pensa que é um balé. Não é.

Em Lakmé há duas passagens que se destacam pela dificuldade, o “dueto das flores” de Lakmé e Mallika “Viens Mallika…” no primeiro ato, e a ária dos sinos de Lakmé, uma ária para sopranos competentes, além do préludio e o tema que se repetem durante boa parte da ópera “c’est l’amour” de Gerald com Lakmé.

 

Dôme Épais Le Jasmin – DOWNLOAD
(trecho)

Lakmé
(Léo Delibes)

 

Lakme
Viens, Mallika, les lianes en fleurs
Jettent déjà leur ombre
Sur le ruisseau sacré qui coule,
Calme et sombre,
Eveillé par le chant des oiseaux tapageurs!

Mallika
Oh! maîtresse,
C’est l’heure ou je te vois sourire,
L’heure bénie où je puis lire
Dans le coeur toujours fermé de lakmé!

Lakme
Dôme épais le jasmin,
A la rose s’assemble,
Rive en fleurs frais matin,
Nous appellent ensemble.
Ah! glissons en suivantle courant fuyant:
Dans l’on de frémissante,
D’une main nonchalante,
Gagnons le bord,
Où l’oiseau chante,
L’oiseau, l’oiseau chante.
Dôme épais, blanc jasmin,
Nous appellent ensemble!

Mallika
Sous le dôme épais, où le blanc jasmin
A la rose s’assemble,
Sur la rive en fleurs riant au matin,
Viens, descendons ensemble.
Doucement glissons
De son flot charmant
Suivons le courant fuyant:
Dans l’onde frémissante,
D’une main nonchalante,
Viens, gagnons le bord,
Où la source dort
Et l’oiseau, l’oiseau chante.
Sous le dôme épais,
Sous le blanc jasmin,
Ah! descendons ensemble!

Lakme
Mais, je ne sais quelle crainte subite,
S’empare de moi,
Quand mon père va seul
À leur ville maudite;
Je tremble, je tremble d’effroi!

Mallika
Pourquoi le dieu ganeça le protège,
Jusqu’à l’étang où s’ébattent joyeux
Les cygnes aux ailes de neige,
Allons cueillir les lotus bleus.

Lakme
Oui, près des cygnes
Aux ailles de neige,
Allons cueillir les lotus bleus.

Lakme
Dôme épais le jasmin,
A la rose s’assemble,
Rive en fleurs frais matin,
Nous appellent ensemble.
Ah! glissons en suivant
Le courant fuyant:
Dans l’on de frémissante,
D’une main nonchalante,
Gagnons le bord,
Où l’oiseau chante,
L’oiseau, l’oiseau chante.
Dôme épais, blanc jasmin,
Nous appellent ensemble!

Mallika
Sous le dôme épais, où le blanc jasmin
A la rose s’assemble,
Sur la rive en fleurs riant au matin,
Viens, descendons ensemble.
Doucement glissons
De son flot charmant
Suivons le courant fuyant:
Dans l’onde frémissante,
D’une main nonchalante,
Viens, gagnons le bord,
Où la source dort
Et l’oiseau, l’oiseau chante.
Sous le dôme épais,
Sous le blanc jasmin,
Ah! descendons ensemble!

 

Mick Wilbury – Miguel Aranega
Que deseja um suave final de semana para todos

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Uma resposta

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  1. Sal said, on 04/03/2008 at 12:35 am

    ESSE É O MEU CUMPADI!
    GRANDE TEXTO E CANÇÃO!


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