13º Congresso da Acaert

Posted in Relato by Colaborador on 16/08/2008

Na quinta ( 14/08 ) estive no 13º Congresso da Associação Catarinense de Rádiodifusores (Acaert). Durante a tarde, acompanhei três palestras: Luciano Pires, Gilberto Barros (Leão) e Caco Barcelos.

Abaixo, um pouco do que cada um apresentou.

O BRASILEIRO POCOTÓ

Na minha opinião, a melhor palestra da tarde. Luciano Pires trabalhou durante 26 anos numa empresa do setor automobilístico, na área de comunicação. Com uma apresenta media e slides com vídeos, esquemas e recortes de jornais, Luciano conseguiu manter a platéia concentrada, apesar de ser pouco conhecido no mercado.

O executivo falou sobre percepção. Através de perguntas (“você tem medo do quê?”, por exemplo) instigou análises na postura e na conduta de cada um para mostrar ao público de rádio e tevê o Brasil que vemos. Trouxe diversos exemplos de abordagens de notícias iguais por ângulos diferentes, comparativos de dados e exemplos práticos de como – independentemente de linha editorial, padrões de veículo, exigências da diretoria do jornal – há formas de repassar ao público uma concepção positiva do Brasil.

Luciano citou Nelson Rodrigues com sua célebre frase “O brasileiro perdeu porque não acreditava que podia ganhar. Sofremos de complexo de vira-latas”. E, numa linguagem simples, chocante e provocativa, traduziu: “somos merdas porque enfiaram na nossa cabeça que seremos merdas pra sempre”.

Como lição principal e último slide da apresentação, mais um questionamento: Qual é o seu legado? Uma palestra brilhante.

A PAIXÃO E A RAZÃO

Talvez a palestra de Gilberto Barros – sim, o Leão – não devesse receber esse nome. Foi um desabafo. Emocionado, ele relembrou como começou sua carreira no rádio AM e fez um apelo aos donos e diretores de rádios e tevês presentes: “não vamos deixar o rádio morrer”. Repetia: “o rádio brasileiro está doente, precisamos fazer alguma coisa para salvá-lo, senhores”.

Comparou a evolução na tecnologia utilizada para fazer televisão com o sucateamento das rádios e criticou violentamente a ligação entre rádio e política. Ofereceu como sugestão para uma melhoria do quadro das rádios um investimento mais constante e freqüente em associativismo.

Uma principal lição: mesmo depois de muito tempo, estar apaixonado pela profissão é importantíssimo. Um desabafo emocionado.

CACO

O palestrante mais aguardado – e tietado – da noite chegou trazendo uma mochila gigantesca e uma gripe que quase não o permitiu falar. Apesar do alvoroço causado pela chegada de Caco Barcelos ao auditório onde estavam sendo realizadas as palestras, assim que subiu no palco ele demonstrou simplicidade e facilidade para falar ao público.

Já nos primeiros minutos, falou da estrutura da matéria na emissora em que trabalha, começando pela triagem de pautas, passando pela checagem dos dados, marcação de pautas, gravação e edição da matéria. Falou também do Profissão Repórter, programa que quebrou o jejum de 10 anos sem novidades no jornalismo da emissora. Disse que o objetivo do programa era mostrar os diversos lados de uma mesma história.

Na exibição de matérias antigas da sua carreira, Caco entrou num assunto bem mais complicado de se lidar: ética. Falou como entrou no apartamento de Nicolau dos Santos Neto, de algumas de suas investigações para os livros Abusado e Rota 66. “Parece que o interesse da mídia só acontece quando os crimes chegam a classe média”, disse, ao falar sobre a atenção exagerada dada a casos como os de Isabela. Contou sobre algumas investigações e comparativos que mostravam que a realidade nos lugares de baixa renda era muito mais complicada. A polícia faz um trabalho brilhante em alguns casos. Mas já encontramos alguns laudos de crimes que aconteceram no meio da rua, as sete horas da noite, que não passam de 10 páginas e não tem nenhuma testemunha ouvida”, disse.

Ponderou o que considerava ou não ético na área jornalística e, ao ser questionado sobre o que fazer por um jornalismo decente mesmo com imposições de pautas e até mesmo questões editoriais, disse que cabe ao profissional buscar e checar as informações. “Se seu chefe diz que tem ali há 10 documentos que comprovam qualquer coisa, corra atrás. Se descobrir que não é verdade ou que há outros fatos interessantes que mereçam ser noticiados, traga 215 para comprovar sua investigação”, brincou.

Claro, Caco não conseguiu sair do palco sem a escolta de fãs que insistiam em bater fotos e pedir autógrafos com o atual maior ícone do jornalismo global.

Uma principal lição: a ética é, realmente, pessoal e intransferível. Cada um tem a sua. Uma boa palestra.

Marina Melz
Que não é da Univali mas sempre lê e escreve para o Pega no Meu!

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Uma resposta

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  1. Ana Paula Hoch said, on 19/08/2008 at 10:00 am

    Olá. Também achei a palestra do Luciano Pires a melhor. Todas foram boas, o dia 14 foi muito produtivo, mas a palestra do Luciano foi ótima. Nos acostumamos a achar que somos o que se diz, país da corrupção e um bando de “merdas” (termo usado pelo palestrante.. hehe) e não olhamos a capacidade que temos. Nada de auto-ajuda, de que “você pode, você consegue”, mas uma palestra mostrando a realidade escondida por trás de algumas informações. Prioriza-se o ruim e não o que é bom.
    Gostei da simplicidade do Leão e também do Caco que, mesmo tendo a “posição” que possuem, mostraram que isso não é resultado e não a causa.
    Parabéns..


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