Solução Criativa

Posted in Literatura by Colaborador on 02/10/2008

Definitivamente, o Céu estava uma bagunça… quase tudo fora do lugar, lixo por toda parte, poluição, o “escambau”. Tinha até uns evangélicos “et similibus” logo alí que sempre fôra um clube exclusivamente para católicos apostólicos romanos. O diabo é que Deus, com seu infinito poder, não conseguia acabar com aquilo sozinho pois iria ferir susceptibilidades, as diversas [areas de influência de santos e anjos obedeciam a outros comandos. Pior: seu dileto Filho vivera um bom tempo lá na Terra só com a gentalha e adquirira gestos e hábitos meio libertários, de esquerda, reacionários e isso influenciara um bocado de santos por ali.

O Senhor dos Céus (e da Terra) intimou São Pedro a tirar essa pedra do seu caminho matinal, exigiu que o dono das chaves dos portões celestiais desse um fim naquela baderna. Nem todos sabem — só quem já morreu! — que o Céu tem duas portas; os que vêm do Purgatótir, depois de penarem uma eternidade, entram pelos fundos. Era justamente essa “galera”, que merecia estar no Inferno, quem tratava os verdes campos celestes como um clubeco de subúrbio.

São Pedro coçou a lustrosa careca, alisou a barba rala e, de estalo, lembrou do único sujeito capaz de “quebrar aquele galho”, mandando um anjo desocupado chamar o “Bené”:

– “Meu caro São Benedito… o Deus dos Exércitos incumbiu-o de limpar a área, driblar todos os problemas, ir ao ataque contra a sujeira, vencer a desordem ee a baderna e, em dois tempos, levar-Lhe um resultado positivo. Caso contrário, sua alama volta à Terra como um vira-lata de caboclo!”

– “D’xá c’migo, ô da portaria. Vou “bater uma bola” com as bases, “dar um toque na rapêizi” e resolver essa “parada”, meu camarada”!

Lá se foi o negro magrinho balançando o esqueleto e pensando como poderia “descascar aquele abacaxi”, se sair bem daquela “bananosa”. A situação era embaraçosa, tinha muito santo de renome e sobrenome, êle era do andar de baixo da categoria e não podia “entrar de sola” pois iria se machucar, mas se ficasse na defensiva o placar final ser-lhe-ía desfavorável. Voltar para a divisão inferior, nem pensar… sofrera que nem cachorro (êpa!) lá embaixo.

Começou do comêço: os santos e anjos limpinhos e engomadinhos foram situados próximo do rotineiro caminho do passeio matinal do Altíssimo, as caras angelicais e o olhar enlevado para honra e glória de Jeovah. O esperto “Bené” deu um sumiço no pessoal do 2º time, os barbados e desleixados, com trajes adquiridos em “brechó” barato, a tal ponto que as plagas celestes voltaram a ser “um brinco”, sem uma toiça de grama fora do lugar e nem aquelas “peladas” indecentes.

A santíssima Nossa Senhora, que tinha uma “caída” suspeita pelo pretinho — afinal, seu beato marido José era quase daquela côr — veio dengosa e charmosa perguntar ao santinho afroeuropeu ( a pedido secreto de São Pedro) como êle havia resolvido a questão. São Benedito não se fez de rogado e conduziu a Virgem-Mãe até um atalho, com uma placa indicativa. Nela, os seguintes dizeres: “Visite o CANTINHO HIPPIE a 500 metros… mantenha-se à esquerda e boa viagem”.

Enfim, o restante do Céu estava à salvo!

Cincinato Palmas Azevedo
Que escreve de Ananindeua, Pará

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