Futebol para elas

Posted in Comportamento, Crônica, Esporte by Colaborador on 04/12/2008

Quarta à noite. Há alguns anos esse era considerado o dia da semana “para namorar”. Hoje? Só se o cara fizer parte de uma seleta minoria, caso contrário, é dia, ou melhor, noite, de jogo! Não importa se o time do coração dele é quem vai jogar ou se é só para secar AQUELE clube que está incomodando. Tampouco importa se a partida é decisória ou se ainda é começo de campeonato. Essa é a noite sagrada deles: do seu namorado e dos 23 em campo (árbitro também conta) que vão te deixar na mão pelos próximos 90 minutos… ou mais! Afinal, sempre têm aqueles que se desligam no meio tempo e fazem questão de acompanhar os comentários subseqüentes.

O que fazer? Reclamar que ele não lhe dá atenção? Ou pior: tentar competir com os jogadores pelos olhares de seu amado? Nada disso! Lembra daquele ditado: “se não pode vencê-los, junte-se a eles?” Então, é isso mesmo o que você: mulher moderna e namorada exemplar vai fazer. Afinal, se você prestar atenção, há muito mais do que a bola e as duas traves em campo.

Devo confessar, meu interesse por futebol não surgiu a partir desta necessidade, aliás, devo ser uma pessoa abençoada (ou, sob outro ponto de vista, injustiçada), todos os meus namorados (ou rolos, pretendentes, afins…) sempre gostavam/entendiam menos de futebol do que eu. De qualquer forma, minha estratégia pode lhe ser muito útil.

Tudo começou na Copa de 2002. Primeiro jogo da seleção canarinha: Brasil x Turquia. Sim, aquele mesmo do gol roubado e da cera ridícula e mal encenada do Rivaldo. Não, não foi esse jogo que despertou o meu interesse pelo esporte (aliás, não despertaria o interesse de ninguém). Mas o que se seguiu foi muito melhor. Não fazia parte dos meus planos assistir ao jogo entre Itália e Equador. No entanto, quando os jogadores da Azzurra entraram em campo, mudei automaticamente de idéia.

Tá certo que a Capricho daquela quinzena já tinha comentado sobre os “gatinhos da Copa” (gente, eu tinha 14 anos. Era super normal ler esse tipo de material, ta?), mas eu nunca achei que aqueles 90 minutos pudessem ser tão interessantes. Apesar do desfile de beldades como Buffon, Nesta, Cannavaro e Maldini e os gols de Vieri, eu não conseguia tirar os meus olhos do camisa 10, Francesco Totti. Na escola, os meninos diziam que ele era um ótimo jogador. Para mim, ele era isso e muito mais (não que eu reparasse muito bem as jogadas, mas enfim).

Depois daquele três de junho apanhei a tabelinha que tinha ganhado de uma amiga e comecei a acompanhar todos os jogos. Uns mais atentamente do que outros, obviamente. Devo ter sido uma das únicas brasileiras que não se empolgava com as vitórias de Felipão. Para mim, era muito mais compensatório ver as seleções do velho continente avançarem na competição: Itália (por todos os que já foram mencionados aqui, mais Alessandro Del Piero que até hoje me causa arrepios), Alemanha (Ballack), Inglaterra (Owen), Espanha (Casillas, Raul e Morientes), Portugal (Figo), Suécia (Anders Svensson) e Dinamarca (Sorensen e Tomasson).

Claro que não me limitei a reparar nos jogadores. Com o tempo acabei me interessando (de verdade) pelos jogos. Aprendi lições básicas como pênaltis, faltas e impedimento. Lição crucial: sempre que um homem quiser questionar os conhecimentos futebolísticos de uma mulher, vai cair nesta pergunta besta. Além de respondê-la (corretamente, pelo amor do bandeirinha lerdo), surpreenda-o com algum comentário do tipo “sou contra a regra do impedimento, acho que deixa o jogo muito amarrado”. A maioria deles concorda com esta afirmação.

Claro que um mês foi muito pouco para a minha sede. Afinal, eu mal tinha começado a me interessar. Solução: ESPN internacional e UEFA Champions League. Era a oportunidade perfeita para continuar acompanhando os dribles dos meus musos e entender como funciona um campeonato entre clubes. E quando eu digo acompanhar, digo-o no sentido mais exagerado da palavra. Ou você conhece alguma mulher que se dignaria a assistir às edições de “Futebol no Mundo”, imprimir tabelas de todas as fases, calendários de todos os jogos e sair mais cedo da aula (vulgo ‘matar’) para assistir a um jogo decisivo entre Real Madrid e Roma (aliás, dois dos meus times europeus preferidos)?

Enfim, meu namoro com o futebol terminou em maio do ano seguinte com a final entre Milan e Juventus (Milan ganhou e eu estava torcendo para a Juvi). Depois disso não acompanhei mais nenhuma competição, nem européia e muito menos nacional. A Copa de 2006 passou um pouco batida pela minha vida. Não tinha mais aquela euforia de 2002, mas procurei acompanhar todos os jogos da Itália. Ah! Óbvio que vibrei com milhares de pessoas que assistiam à final no shopping quando o Zidane foi expulso e, mais ainda, quando Cannavaro levantou a copa.

O que eu aprendi com tudo isso? Primeiro: futebol pode ser um esporte muito interessante para as mulheres que não o compreendem muito bem, desde que selecionados os jogos certos. Segundo: esse esporte realmente une as pessoas, conseguiu me aproximar do meu pai, por exemplo. Terceiro: mesmo que não tenha um jogador interessante, é legal assistir às partidas. Bom, neste último item é imprescindível que você já tenha um bom conhecimento, pois a graça está justamente em extravasar as emoções, seja vibrando com o gol do seu time ou xingando a décima geração do juiz ladrão fdp. É bom para o seu equilíbrio. Ah! E funciona para TPM também.

Então, já sabe: na próxima vez que o seu namorado optar por um gramado e 23 homens correndo em campo (os bandeirinhas não correm, se arrastam), não pense que ele não te ama mais. Saiba tirar proveito da situação, afinal, não é muito melhor ver todos estes homens fisicamente condicionados do que se mulheres de biquini? Você aproveitará bem mais do que ele.

Luciana da Cunha
Que mandou um texto de tanto o Joel insistir

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