Cuidado para não cair no Dia da Mentira

Posted in Artigo, Comportamento by . on 01/04/2009

Conta a lenda que no século XIX era comum haver bailes festivos entre a realeza para celebrar a chegada da primavera. Mas a intenção dos reis, rainhas e toda a gente cheia de pompa, era mesmo aparecer e competir por quem daria a melhor festa da época.

A princesa Maria Filomena, da Finlândia, tinha preparado o melhor vestido para a comemoração, celebrada no palácio da família. Porém, depois dos convites confeccionados, surgiram rumores de que haveria outro baile, na Suécia, e os convidados já estavam confirmados.

Como na época não existia sedex, internet, e coisas do gênero, as informações chegavam muito devagar. A princesa aproveitou para enviar seus convites com uma observação: sua festa ocorreria no dia 28 de maio (data do outro baile), já que a festa sueca tinha sido lamentavelmente transferida para 1 de abril.

Resultado: quem acreditou nela foi à outra festa na data errada e quando chegou percebeu que o evento tinha acabado há alguns dias. Todo o empenho dos convidados foi por água abaixo e a corte caiu na gargalhada.

Mas isso tudo também é uma grande mentira. Toda essa história foi uma forma de dizer que hoje uma mentirinha está liberada, mas muito cuidado com as consequências que ela pode ter.

O jornal Le Soleil, do Senegal, por exemplo, noticiou há alguns anos que o presidente americano da época, Bill Clinton, seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos Estado Unidos. Centenas de senegaleses saíram correndo para a embaixada americana.

A história mais cabulosa e mais famosa de notícia falsa ficou por conta do jornal britânico The Guardian. A equipe se empolgou com o 1º de abril de 1977 e publicou naquela edição um suplemento de sete páginas sobre a República de San Serriffe, um arquipélago localizado no oceano Índico.

O caderno falava sobre os dez anos da independência do país, além de mencionar a história do seu descobrimento pelos portugueses, a colonização dos ingleses, a população nativa (os flongs) e as belezas naturais e pontos turísticos como Garamondo, Villa Pica, Cap Em e Umbra (coincidentemente todos os nomes são modelos de letras tipográficas). Eles afirmaram ainda que a ilha se movimentava pelos oceanos e teria surgido próximo ao Brasil, no Atlântico, e já havia chegado ao Índico.

A história fez tanto sucesso que dezessete anunciantes do jornal decidiram entrar na brincadeira. A Kodak anunciou a organização de uma exposição sobre o arquipélago e a Texaco criou um concurso que dava como prêmio viagens para a ilha. Até hoje há notícias sobre a ilha no Dia da Mentira.

A revista Veja foi vítima de uma notícia mentirosa. Em abril de 1993 a publicação abordou o surgimento do “boimate”. Pesquisadores de Hamburgo, na Alemanha, conseguiram fundir pela primeira vez células de tomate com células de boi, criando essa nova espécie animal-vegetal. A notícia era uma pegadinha da britânica New Scientist.

No ano passado o site de relacionamentos Orkut alterou temporariamente a sua logomarca para Yogurt e a Desciclopédia anunciou que foi comprada pelo site Pudim.com.br tornando-se a Pudimpédia.

raaaaa

Mas onde começou essa prática?

Existem muitas dúvidas sobre a origem da data. A explicação mais aceita (e que não descarta a possibilidade de também ser uma mentira) liga o primeiro de abril à França do século XVI.

Tudo começou em 1564. O calendário em vigor no país era o calendário Juliano, que tinha o início do ano novo próximo de abril. Um belo dia o rei Carlos IX, declarou que a França começaria a usar o calendário Gregoriano, onde o ano novo iniciaria em primeiro de janeiro.

Muita gente não aceitou a mudança e outros não acreditavam que as datas seriam alteradas. Essa confusão fez com que o pessoal, que serviu de alvo às brincadeiras de abril, fossem considerados tolos. As pessoas mais sacanas começaram a enviar presentes e os convidavam para as falsas festas (até que a história da Maria Filomena não é tão fantasiosa).

Os cidadãos das zonas rurais da França também foram vítimas dessas piadas. Como as notícias viajavam lentamente nessa época, eles podem ter ficado sem saber sobre a troca de datas durante meses ou anos. Imaginem a quantidade de piada por eles celebrarem o ano novo no dia errado!

No Brasil a data pode ter se iniciado em Pernambuco. Um periódico chamado A Mentira, lançado em 1º de abril de 1848, deu a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte.

Marina Fiamoncini
Que apesar disso não sabe mentir

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