Sertanejo Universitário de cú é rola – Vida Longa à Boa Música!

Posted in Música, Opinião by Sal on 09/06/2009

jazz

Salve galera!

O Pitadas do Sal dessa semana é um pouco diferente, mas o assunto continua sendo música, ou melhor, a Boa Música.

Sexta-feira passada (5) fui assistir ao show do Blues Etílicos, na Expresso Choperia, em Balneário Camboriú (SC). Presenciei um espetáculo de profissionalismo, virtuose e amor à Música. Sim, com “M” maiúsculo mesmo. Um desfile de canções em que se percebia de forma harmoniosa a combinação de sons e silêncio. Goste você ou não do gênero.

Ir ao show me deu a certeza de que nem tudo está perdido e que ainda se faz música por amor, com sinceridade, música honesta e não essas porcarias comerciais que poluem os dials das rádios e os programas de televisão. Entristece-me em perceber que a cultura musical da grande maioria das pessoas é tão inexpressiva, que se contentam com uma pseudo-música feita por encomenda, para poluir os ouvidos dos mais exigentes.

Tudo bem que gosto é pessoal e blá-blá-blá, mas é inegável o talento musical que os caras do Blues Etílicos têm e o tesão que é ouvir música bem feita, bem executada. Onde estão os representantes do bom rock nacional atualmente? Fresno? NX0??? O que é isso, minha gente?

Pior é perceber a quantidade absurda de duplas sertanejas que polulam por aí. Esse povo multiplica mais que gremlins na chuva. Os jovens, aqui em Balneário, só ouvem isso dentro de seus carros, com o som em um volume ensurdecedor e patético. Pois atestar o mau gosto musical para todo mundo, para mim não tem outra explicação. Eu teria vergonha de ouvir esse tipo de música alto.

Foi lamentável também perceber que a casa não estava lotada e que se fosse um show dessas duplinhas de araque, ou de um grupo de breganejo, o local estaria mais cheio. Mas a culpa é de quem? Das gravadoras? Da mídia? Da falta de cultura musical da maioria dos jovens?

Cheguei a uma triste conclusão: Se a música consumida hoje, requer rótulos esdrúxulos do tipo “universitário” e letras apelativas, ou atrizes pornôs que não sabem cantar, em coreografias lamentáveis, são porque o nível de exigência musical das pessoas, atualmente, está pior do que nunca. Pior é que não vejo um sinal de mudança. A galera tem preguiça de pensar e escutam o que está na moda, o que lhe empurram goela abaixo. Queria uma juventude brasileira mais exigente.

Lembrei de uma frase do Kid Vinil, ao discorrer sobre a qualidade musical feita no Brasil: “O que é sertanejo universitário? Na minha época de faculdade eu ouvia Chico Buarque”. Pois é, a música consumida hoje está muito ruim, em minha opinião e eu sei que muitos irão contra mim por esse desabafo. Mas vamos combinar: se “música é a arte de combinar sons”, vamos ao menos fazer a lição direitinha.

E quero fazer um apelo aos mecenas da vez, que ao invés de investirem sua grana em algo abominável, como Sexy Dools, valorize o jovem talento que investe uma vida inteira aprimorando seu dom e não consegue espaço na mídia para mostrar seu trabalho. Lembre-se, Boa Música fica, atravessa gerações. As porcarias produzidas hoje em dia, duram um verão e só e não acrescentam nada.

Como diria meu bom e velho amigo João Arnaldo, do Fórum Beatles Brasil.com, “Em uma sociedade como a nossa, em que as pessoas não estudam música, não tocam instrumentos musicais, não há como esperar nada melhor do que o que já temos. Ou vocês acham que é possível esperar que pagodeiros, com seu infinito conhecimento de música (Harmonia, Melodia e Ritmo), poderiam entender a beleza existente nas pautas de Vivaldi ?”

Ariston Sal Junior
Que está preparado para ouvir opiniões contrárias as suas

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14 Respostas

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  1. Roberto said, on 09/06/2009 at 9:26 am

    assinei embaixo, Sal…

  2. Marina said, on 09/06/2009 at 5:16 pm

    É mais vantajoso ($) fazer música para a massa. Isso não acontece só com a música, lamento muito que o jornalismo seja assim e que um dia eu precise passar por cima de meus princípios por causa de um emprego (espero que não hehe).

    Quanto à música, entendo sua indignação. Há muitos estilos que eu não gosto e não fico questionando, porque tem pessoas que os defendem e realmente gostam daquilo.
    A partir do momento que você sabe diferenciar a arte do produto, ponto pra você.
    No mais, não dá pra mudar a cabeça de todo um país super misturado como o nosso.

    Além do mais, eu não faço música, não sei dizer porque essa é boa ou essa é ruim, mas sei as que me agradam. Para você é fácil ficar chateado, porque tem um conhecimento de teoria e prática e etc. Eu escuto pouca música ultimamente, saio pouco, mas presto muito atenção. Não julgo mais as pessoas pelos seus gostos.

    Sabe que quando parei de ter preconceitos percebi o quando são chatos os fãs de Chico Buarque que empinam o nariz e se acham superiores ao restante da humanidade…

    Às vezes a “boa música” não faz parte da cultura daquela pessoa. E cultura é cultura e ponto final. Não há boa ou ruim.

    Agora, quanto aos músicos que não tem apoio porque não fazem música comercial, também acho sacanagem… Mas essa é outra história e cansei de escrever…
    🙂

  3. […] Segue abaixo,  a opinião do jornalista Ariston Sal Junior, redator do portal Itajaí News, para o Pega No Meu Blog. […]

  4. Giovanni Ramos said, on 09/06/2009 at 5:33 pm

    Boa opinião. Foi linkado em > http://controversas.com/?p=619

  5. Marie Harrison said, on 09/06/2009 at 6:07 pm

    Oi Sal, gostei da sua reportagem!! Ontém mesmo estava discutindo isso com a minha irma aqui.

    Desde que voltei a trabalhar, sempre que posso faco a rota para o Brasil. Eu fico apenas 2 no máximo 3 noites aí. E boa parte do meu tempo, já que fico em Sao Paulo, num Hotel no Morumbi, onde nao tem nada, assisto muita televisao ou vou no shopping ver as novidades em termos de música e livros.

    Eu fiquei impressionada como o mível de qualidade dos programas de televisao pioraram, é uma baixaria mesmo. É programa de fofoca, ou um humor tao sem graca que até assusta. Em temos de música também está uma porcaria. Perguntei á uma vendedora uma música legal e ela botou me a escutar zézé di camargo e um bahiano que esquecí o nome… No rio, eu escutei Tati quebra barraco, sem falar na danca do Creu.

    Eu estou a ler Chega de Saudade, um livro de Ruy Castro sobre a Bossa Nova e sinto pena de nao existir mais uma nova geracao de poetas e compositores como Vinicius, Cazuza, Jobim, Cartola, Chico Buarque ou até mesmo cantoras como Elis, Elza Soares,Elizeth Cardoso, Maysa… é uma pena mesmo. Mas este problema é mundial, aqui se vê e escuta a mesma porcaria.

  6. Kiyomi said, on 09/06/2009 at 11:06 pm

    Salve, Sal! Faz tempo que não comento aqui, né…

    Certo que faz muito tempo que não volto nem pra férias (tá, voltei há três anos, mas duas semanas não dá nem pra um beijo e tchau), mas pelo que acompanho, o nível musical aí caiu e como! Vejo isso até na comunidade brasileira daqui: ouço aquelas músicas que é de doer e revirar o estomago de muita gente, mas como sempre falei – gosto é que nem traseiro, cada um tem o seu, se tal pessoa gosta de um bate-estaca e outra gosta de classica, se cada um respeitar o gosto, muito bom. O lado ruim é quando um não respeita o outro, aí vira baderna.

    Aqui também não é diferente: dia após dia pipocam cantores e cantoras do estilo “one-hit wonder” e só. Se bem que como o público é muito variado demais, tem pra todos, por isso que pelo menos aqui preconceito musical não tem (aparentemente…), tanto que tem americano a la hip-hop cantando o tradicional enka e filipo-americana cantando pop a la Britney…

    E concordo com as palavras do nosso amigo dignissimo Joao Arnaldo bem como as suas.

    Marie, este problema é mundial mesmo.

    Beijos e abraços a todos!

  7. Heloize said, on 10/06/2009 at 2:38 pm

    Sal! Brilhante o texto!

    Concordo com cada palavra que tu escrevestes! Parabéns pela produção!

    Beijo.

  8. Murilo Ulbricht said, on 10/06/2009 at 2:49 pm

    É meu amigo Sal, a indústria fonográfica ganha muito dinheiro com a “música”. Deixemos o dinheiro com a “raça” predominante que dominam os ouvintes e fiquemos com o felling, o bom gosto e o orgulho de ouvir e fazer boa música. Desculpa amigo, não consigo mas entrar nestes assuntos relacionados a boa e a má musica atual mas fico contente que tenha gente como vc trabalhando em prou pela boa musica.
    Abraço.

  9. Fabrício Wolff said, on 13/06/2009 at 12:27 am

    Caracas, velhinho. Matou a pau. Não conhecia este blog, mas de antemão já peço permissão para postar isso no meu Penso, Logo Insisto (www.fabriciowolff.blogspot.com).

    Não preciso nem dizer que concordo em número, gênero e grau. Sou o cara que em 1994, 95 e 96 fiz o Skol Rock em Blumenau e em 2007 o 1o. Festival de Música Clássica da cidade, denominado Clássica Blumenau. E tenho certeza que ganharia mais dinheiro promovendo esses sertanojos universotários. Só que meu ouvido não é penico e, ainda que se ganhe menos, se mantém a vergonha na cara.

    Artigo perfeito. Parabéns!

  10. Marcos Fumagalli said, on 17/07/2009 at 1:49 pm

    concondo plenamente em partes sobre a desabafo do Ariston,agora sou talmente contra como musico q sou falar q o sertanejo nao entende de musica??? se ta confundindo funks com musica de verdade , afinal se vc for ver a produçao de um album sertanejo, que envolve muitos musicos de primeirissima categoria maestros , musicos profissionais de estudio e nao simplismente um batidao eletronico, acho q vc deveria medir as palavras em falar a respeito do que vc nao tem nem ideia pelo visto!!comcondo no seu ponto de vista oq nao posso admitir q (boa musica) simplesmente se basea em rock sendo se vc pesquisar a fundo quase nenhum roqueiro tem faculdade de musica nem um roqueiro e maestro, sou musico a 22 anos e adoro todo tipo de musica sou muito ecletico, ja toquei rock boleros valsas marchunhas de tudo e sempre tem alguma informaçao musical em cada seguimento, tento absorver tudo q posso, agora so acho q vc nao deveria generalizar os estilos pois tem muita porcaria sim no mercado mais se vc pesquizar a fundo como falei em relaçao a harmonia melodia e ritmo o sertanejo tem isso e muito mais, mais como vc diz gosto e de cada um bla bla bla tem espaço pra todo mundo e nao e falando mau de um estilo de musica q vc vai mudar as coisas e sim fazendo por merecer, antes de tudo o Brasil e um pais com suas propria musicas raiz e nao e do rock, como no metal acho a melhor escola de musicos, musicas com um grau de dificuldade extremo de execuçao mais q aki no brasil ninguem da valor. entao deixo aki minha opiniao sem querer ofender ninguem mais sim dizer q no sertanejo (universitario) ou nao existem musicos de verdade e nao pessoas q brincam com 3 acordes e se dizem musicos. Obrigado!!!

    • Sal said, on 17/07/2009 at 5:21 pm

      Valeu o comentério, Fumagalli! Tb não ouço só rock. Adoro bossa nova, MPB, Jazz… tb não duvido que existam bons músicos, que toquem sertanejo universitário. Afinal de contas, é isso que dá dinheiro hoje em dia. Mas questiono com meu texto, é a falta de interesse do jovem só ouvir os modismos e não se interessar por boa música. Mas tudo é questão de gosto, né? Isso é um campo delicado. Mas como vc mesmo percebeu, foi um desabafo meu!
      Apareça mais vezes no blog!

  11. Stéphane said, on 14/01/2010 at 8:33 am

    Fiquei feliz em encontrar seu texto em uma procura que fiz no google sobre crítica ao dito sertanejo universitário e surpresa por você morar na mesma região que eu (moro em Balneário Camboriú).
    Há tempos que não ouvia alguém distinto de minha convivência opinar de modo racional sobre o estilo musical preponderante por aí. É lamentável e cansativo essa multiplicação de músicas ruins… que músicas o quê, na verdade, uma junção de batidas histéricas e repetitivas com letras esdrúxulas sobre uma vida sentimental duvidosa.
    “Músicas” que falam de ser traído, de trair, de tratar mal os outros, “músicas” que não falam nada na verdade! Porque não trazem mensagem nenhuma… e, creio eu, se há um papel na letra de música é justamente de passar uma mensagem inspiradora. Já que, pelo menos na minha realidade, música antes de tudo deveria priorizar a sonoridade… Na harmonia de sons que transpassam algum sentimento, emoção, enfim.
    Por isso, muitas vezes, dá vontade de sair gritando no ouvido dessa gente para que por favor tenham um momento de lucidez e percebam que espécie de lixo estão ouvindo. E isso não é nem questão de preconceitos por possuir um gosto musical diferente dessas pessoas, é questão de raciocínio mesmo, de entender o valor que uma música traz a uma sociedade, o valor que a música tem na evolução da pessoa.
    Afinal, se eles “curtem” estas ditas “composições” e acham realmente “legais” é porque não tem um mínimo de tato e consciência sobre harmonia e beleza.
    Gostaria que houvesse um meio da boa música ressurgir, que pudéssemos sair passear ao fim da tarde e invés de ouvir um som de um teclado irritante e uma letra muito mas muito mal escrita ouvíssemos um bom som, nem precisa ser das belas sinfonias (pois isso já é pretender o irreal), mas um boa música, algo legal, com um ritmo bem pensado, com nuances variadas, e claro que se tenha uma letra que seja acompanhamento da harmonia e não o foco, pois música por definição se refere a arte e técnica de combinar os sons de maneira agradável ao ouvido.

    Stéphane Domeneghini

    • Sal said, on 14/01/2010 at 9:35 am

      Olá, Stéphane… somos vizinhos, então?
      Bacana o seu retorno, é sempre gratificante ter um feedback de algo que postamos, ainda mais sendo um assunto, que a meu ver é preocupante. A falta de referência desse pessoal que SÓ ouve esse tipo de sub-música, é o que me deixa preocupado.
      Obrigado pelo comentário. O Blog está um pouco desatualizado, mas em março esparamos voltar com força e com novidades.

      =)

  12. Fernando Tubbs said, on 17/06/2011 at 12:35 pm

    Grande amigo Sal…
    Muito bom….esse espaço
    abraço!


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