Gamer

Posted in Cinema, Vídeo by Joel Minusculi on 06/10/2009

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Fugir da vida real e encarnar uma personalidade virtual é algo um tanto comum hoje. A evolução desse fenômeno nos permite fazer coisas que, no cotidiano, seriam consideradas absurdas. Em seu ritmo de desenvolvimento, essa experiência promete alcançar níveis bem complexos de interação entre controladores e controlados. E foi essa perspectiva que Mark Neveldine e Brian Taylor devem usaram para escrever, produzir e dirigir Gamer (Gamer, 2009, atualmente nos cinemas).

O filme é uma ficção-científica, que retrata poucos anos futuros de nosso presente, onde as pessoas ainda são ligadas em relacionamentos e entretenimento pela grande rede mundial de computadores. A diferença agora, porém, é que ao invés das pessoas controlarem avatares feitos de gráficos e pixel, seres humanos de carne e osso são os “bonecos”. E, ao invés de um ambiente virtual, os “bonecos” existem em áreas pré-determinadas.

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Essa revolução na forma de interagir é uma invenção de um excêntrico bilionário, Ken Castle (interpretado por Michael C. Hall, o “Dexter”). Ele desenvolveu células artificiais nano-neurotransmissoras, que substituem as células normais do cérebro, embutido um endereço IP em cada voluntário. “Hoje existem pessoas que pagam para controlar e outras que cobram para serem controladas. Essas últimas para não precisarem tomar decisões difíceis em sua vida e viver sempre em festa”.

O bilionário fez um trato com o governo americano, para usar prisioneiros condenados a morte para criar um novo jogo, chamado “Slayers”. Nesse jogo, que é uma versão em carne e osso de Counter Strike, Kable (interpretado por Gerard Butler, o Rei Leônidas) é controlado por um adolescente de 17 anos. Essa dupla consegue chegar longe no jogo, quando um grupo de hackers intitulados “Humanz” começa uma ação para libertar as pessoas que se submetem ao controle, antes que esqueçam o que é ser humano.

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A premissa de “pessoas controladas em um futuro” pode não ser das mais originais, mas a reflexão do fenômeno utilizado de pano de fundo é intrigante. Acontece que os dois jogos retratados no longa são versões “futuristas” de jogos muito populares hoje. O “Society”, por exemplo, o jogo de convívio social do filme, é o famoso Second Life. Já o “Slayer” é um dos milhares de tiro em primeira pessoa, como o já citado Counter Strike. Ou seja, é bem fácil relacionar muitos fatos daqueles jogos ambientes com os atuais, principalmente se você for um jogador (chama a atenção a negociação pelo “personagem” Kable, como acontece hoje com a venda de personagem em altos níveis em jogos). Outro ponto que chama a atenção é a edição e o ritmo de desenvolvimento, que é igual a dinâmica apressada, dos jogos de tiro, e colorida, dos jogos sociais.

“Gamer” mostra que não é preciso uma Matrix em forma de universo paralelo, ou que robôs nos dominem, para sermos privados de nossa humanidade. O interessante e pavoroso do filme é como os próprios seres humanos podem querer causar e sujeitarem-se a certas ações. Quando o desenvolvimento de uma tecnologia é tanto, que as pessoas esquecem-se de pensar nas conseqüências dos atos, já que tudo não passa de um “jogo”. Aliás, muitos esquecem que por trás daquele avatar de uma bela mulher com poucas roupas pode existir um jogador homem, algumas arrobas acima do seu peso e mastigando um sanduíche gorduroso, enquanto flerta com alguém ligado demais na realidade virtual.

Trailer Oficial Legendado
Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Joel Minusculi
Que não troca a vida real pela virtual (totalmente…)

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