Afinal, que diz a lei contra a homofobia?

Posted in Artigo, Opinião by William on 12/04/2010

Entre a extensa lista de citações do filósofo grego Aristóteles, uma é essencial para que todo este texto faça sentido: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ser gay não é o único motivo que me faz acreditar que o projeto de lei substitutivo 122, de 2006, adiciona a discriminação aos homossexuais a lista de crimes da lei º 7.716 seja benéfico para toda a sociedade. O que me faz acreditar neste projeto é seu texto, claro, conciso e objetivo.

Ao contrário do que vociferam pastores evangélicos Brasil a fora, como Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR/ES), a PL122 não torna os gays uma ‘categoria intocável’. A discriminação por orientação sexual (homo/bi/trans e hetero) passa a incorporar o texto de uma lei já existente, que pune o preconceito por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero e sexo. Aprovada a modificação, a lei ganha o texto ‘orientação sexual e identidade de gênero’ como complemento.

A lei, que já cita uma extensa lista de crimes contra estas fatias da sociedade, adiciona ainda impedir ou proibir o acesso a qualquer estabelecimento, negar ou impedir o acesso ao sistema educacional, recusar ou impedir a compra ou aluguel de imóveis ou impedir participação em processos seletivos ou promoções profissionais para as pessoas negras, brancas, evangélicas, budistas, mulheres, nordestinos, gaúchos, índios, homens heterossexuais, mulheres homossexuais, travestis, transexuais… pra TODO MUNDO! Ou seja, a lei não cria artifícios para beneficiar apenas os gays, mas para dar mais garantias de defesa de seus direitos para toda a sociedade, da qual a comunidade gay está inserida.

O único artigo que cita diretamente novos direitos constituídos a homossexuais é o oitavo, que torna crime “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãos”, deixando claro que os direitos são de TODOS, e não apenas de um grupo seleto de pessoas.

Mas e a liberdade de expressão?

O ponto mais criticado por evangélicos, especificamente, é a perda da liberdade de expressão. Ora, onde um deputado em sã consciência faria um projeto desta magnitude e não estudaria a fundo a constituição para evitar incompatibilidades? A PL122 apenas torna crime atos VIOLENTOS contra a moral e honra de homossexuais, o que não muda em nada o comportamento das igrejas neo-pentecostais em relação a crítica. Uma igreja pode dizer que ser gay é pecado? Pode. Assim como pode dizer que ser prostituta é pecado, ser promiscuo é pecado, ser qualquer coisa é pecado. A igreja pode dizer que gays podem deixar o comportamento homossexual de lado e entrar para a vida em comunhão com Jesus Cristo? Pode, claro! Tudo isso é permitido, se há homossexuais descontentes com sua orientação sexual, eles devem procurar um jeito de ser felizes, ou aceitando sua sexualidade ou tentando outro caminho, como a igreja, por exemplo.

Agora, uma igreja pode falar que negros são sujos, são uma sub-raça e que merecem voltar a condição de escravos? Pode dizer que mulheres são seres inferiores, que não podem trabalhar e estudar, e que devem ser propriedade dos maridos? Pode dizer que pessoas com deficiência física são incapazes e por isto devem ser afastadas do convívio social por não serem ‘normais’? Não, não podem. Da mesma forma, que igrejas não poderão dizer (mesmo porque é mentira) que ser gay é uma doença mental, que tem tratamento, que uma pessoa gay nunca poderá ser feliz e que tem de se ‘regenerar’. Isto é uma violência contra a moral e a honra dos homossexuais, e este tipo de conduta ofensiva será passiva de punição assim que a lei for aprovada.

O que a PL 122 faz é incluir. Ela não cria um ‘império Gay’, como quer inadvertidamente propagar um ou outro parlapatão no Senado. A PL 122 não deixa os homossexuais nem acima, nem abaixo da lei. Deixa dentro da lei. Quem prega contra a lei tem medo de perder o direito de ofender, de humilhar, de destruir seu objeto de ódio. Quem prega contra a PL 122 quer disseminar a intolerância. E tudo que nossa sociedade precisa hoje é aprender respeito e tolerância, e descobrir de uma vez por todas que é a pluralidade que torna nossas breves existências em algo tão extraordinário.

William De Lucca Martinez

Jornalista

@delucca / deluccamartinez@hotmail.com

E agora, Jornalista?

Posted in Opinião by Joel Minusculi on 22/06/2009

Acho que demorei em escrever este texto. Talvez pela minha rotina apertada, ou quem sabe o efeito colateral na minha lógica de não ter assimilado a decisão do STF. Tento ser forte, mas o desânimo insiste em ressoar no inconsciente e retumbar em cada lembrança de quatro anos e meio de faculdade de Jornalismo. Tudo parecia ter caído junto com o diploma na noite de 17 de junho de 2008.

Sou formando em jornalismo e, mesmo assim, não me sinto totalmente preparado para encarar grandes responsabilidades no mercado de trabalho. Fiz estágios, projetos de pesquisa, virei noites em trabalhos elaborados para apresentar em aula e, até mesmo, fui ao “fronte” do dia-a-dia encarar pessoas para matérias.

Pensando bem, acho que é besteira ter essa insegurança. Se eu não tivesse feito faculdade, e ido direto para o mercado de trabalho, não precisaria me preocupar com os elaborados processos comunicacionais que envolvem publicar uma matéria. Aliás, nem precisaria pensar. Era só entrar na redação e seguir as ordens de alguém mais velho que estivesse lá dentro. Fazer a mesma coisa, não reinventar. A segurança do marasmo é confortante.

Para que saber o que é um lead? Ou quais são os componentes de um processo comunicacional? Ou entender meu público alvo? Certamente um jornalista da redação vai ter tempo de sobra, em sua rotina perpétua, para parar tudo o que estiver fazendo e me ensinar, de graça, isso tudo. Jornalista não tem muito o quê se preocupar mesmo, porque hoje em dia a maioria só “chupa” tudo das assessorias. Aliás, se eu não tivesse feito faculdade, teria economizado todo o dinheiro investido, que seria suficiente para comprar um carro popular.

Qualquer pessoa pode escrever (desde que esteja alfabetizada, pelo menos). Qualquer pessoa pode fazer perguntas para os outros. Qualquer pessoa pode ir atrás de informações. Mas me pergunto: qualquer um sabe organizar tudo isso da melhor forma? Apresentar o conteúdo no “ponto” certo para as pessoas lerem? Ter o cuidado de não explorar o sofrimento alheio? O pior é que nem os jornalistas mesmo estão preparados para isso, pois eles se conformam em ser consumidos pela repetição, que Gilmar Mendes alegou ser a única coisa necessária para ser jornalista.

A não obrigatoriedade do diploma de jornalista é um incentivo à estagnação, a não atualização, a falta de novas visões de desenvolvimento das práticas comunicacionais. Mas quem sou eu para pregar isso, já que aprendi só isso em quatro anos e meio, e os juízes do STF derrubaram isso tudo em alguns meses de discussão.

Joel Minusculi
Que, mesmo desacreditado pela mais alta instância do poder judiciário brasileiro, valoriza tudo o que aprendeu nos quatro anos e meio de faculdade de jornalismo. Além disso, ao final de tudo, vê nisso uma oportunidade de mostrar que o diploma vale sim, e vai lutar no mercado de trabalho para provar isso

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Você precisa ler também:

> Por que ainda estudar jornalismo?

> Diploma obrigatório caiu, e agora?

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Sertanejo Universitário de cú é rola – Vida Longa à Boa Música!

Posted in Música, Opinião by Sal on 09/06/2009

jazz

Salve galera!

O Pitadas do Sal dessa semana é um pouco diferente, mas o assunto continua sendo música, ou melhor, a Boa Música.

Sexta-feira passada (5) fui assistir ao show do Blues Etílicos, na Expresso Choperia, em Balneário Camboriú (SC). Presenciei um espetáculo de profissionalismo, virtuose e amor à Música. Sim, com “M” maiúsculo mesmo. Um desfile de canções em que se percebia de forma harmoniosa a combinação de sons e silêncio. Goste você ou não do gênero.

Ir ao show me deu a certeza de que nem tudo está perdido e que ainda se faz música por amor, com sinceridade, música honesta e não essas porcarias comerciais que poluem os dials das rádios e os programas de televisão. Entristece-me em perceber que a cultura musical da grande maioria das pessoas é tão inexpressiva, que se contentam com uma pseudo-música feita por encomenda, para poluir os ouvidos dos mais exigentes.

Tudo bem que gosto é pessoal e blá-blá-blá, mas é inegável o talento musical que os caras do Blues Etílicos têm e o tesão que é ouvir música bem feita, bem executada. Onde estão os representantes do bom rock nacional atualmente? Fresno? NX0??? O que é isso, minha gente?

Pior é perceber a quantidade absurda de duplas sertanejas que polulam por aí. Esse povo multiplica mais que gremlins na chuva. Os jovens, aqui em Balneário, só ouvem isso dentro de seus carros, com o som em um volume ensurdecedor e patético. Pois atestar o mau gosto musical para todo mundo, para mim não tem outra explicação. Eu teria vergonha de ouvir esse tipo de música alto.

Foi lamentável também perceber que a casa não estava lotada e que se fosse um show dessas duplinhas de araque, ou de um grupo de breganejo, o local estaria mais cheio. Mas a culpa é de quem? Das gravadoras? Da mídia? Da falta de cultura musical da maioria dos jovens?

Cheguei a uma triste conclusão: Se a música consumida hoje, requer rótulos esdrúxulos do tipo “universitário” e letras apelativas, ou atrizes pornôs que não sabem cantar, em coreografias lamentáveis, são porque o nível de exigência musical das pessoas, atualmente, está pior do que nunca. Pior é que não vejo um sinal de mudança. A galera tem preguiça de pensar e escutam o que está na moda, o que lhe empurram goela abaixo. Queria uma juventude brasileira mais exigente.

Lembrei de uma frase do Kid Vinil, ao discorrer sobre a qualidade musical feita no Brasil: “O que é sertanejo universitário? Na minha época de faculdade eu ouvia Chico Buarque”. Pois é, a música consumida hoje está muito ruim, em minha opinião e eu sei que muitos irão contra mim por esse desabafo. Mas vamos combinar: se “música é a arte de combinar sons”, vamos ao menos fazer a lição direitinha.

E quero fazer um apelo aos mecenas da vez, que ao invés de investirem sua grana em algo abominável, como Sexy Dools, valorize o jovem talento que investe uma vida inteira aprimorando seu dom e não consegue espaço na mídia para mostrar seu trabalho. Lembre-se, Boa Música fica, atravessa gerações. As porcarias produzidas hoje em dia, duram um verão e só e não acrescentam nada.

Como diria meu bom e velho amigo João Arnaldo, do Fórum Beatles Brasil.com, “Em uma sociedade como a nossa, em que as pessoas não estudam música, não tocam instrumentos musicais, não há como esperar nada melhor do que o que já temos. Ou vocês acham que é possível esperar que pagodeiros, com seu infinito conhecimento de música (Harmonia, Melodia e Ritmo), poderiam entender a beleza existente nas pautas de Vivaldi ?”

Ariston Sal Junior
Que está preparado para ouvir opiniões contrárias as suas

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Wolverine – Origem

Posted in Cinema, Opinião by Joel Minusculi on 04/05/2009


Retirar um personagem das retículas dos quadrinhos e dar vida em quadros por segundo é uma tarefa de grande responsabilidade, ainda mais quando a figura em questão já alcançou a fama através de uma personalidade forte e marcante. X-Men Origens: Wolverine (2009) estréia justamente com a intenção de contar a história do baixinho mais invocado da editora Marvel Comics. Além disso, a produção tem o desafio de adaptar uma história sob o olhar atendo de uma legião de fãs que acompanham os passos de Wolverine desde seu surgimento.

01

Nos quadrinhos

Antes de analisar qualquer aspecto cinematográfico é preciso entender quem é Wolverine. Ele apareceu pela primeira vez no mundo dos quadrinhos como um mero coadjuvante, ao enfrentar o gigante esmeralda Hulk em Incredible Hulk #180. Lançada em outubro de 1974, a história criada pelo escritor Len Wein e pelo diretor de arte John Romita apresentou ao mundo uma arma projetada para dilacerar o que encontrasse pela frente. Nessa mesma edição, os aficionados em quadrinhos conheceram a chamada Arma X.

O mutante das garras afiadas poderia ter caído no esquecimento, caso seus criadores não tivessem colocado-o, mais tarde, em uma equipe especial para resgatar a equipe original dos X-Men (que era formada apenas pelo Ferra, Garota Marvel, Homem-de-Gelo, Ciclopes e Anjo, além do Professor Xavier). A partir disso, Wolverine conquistou fãs com sei jeito truculento e de bad boy – o clássico anti-herói, que resolve os problemas à sua maneira –, além de um espaço garantido da equipe dos Novos Mutantes do X-Men.

A falta de memória foi o jeito mais fácil de moldar gradativamente a personalidade de Wolverine, através da aprovação do público e o desenvolvimento das histórias como um todo. Sua origem sempre foi um mistério para os fãs, que conheciam poucos fragmentos de sua história. Por isso, os arcos mais famosos do mutante são os que tentam traçar o passado de Wolverine. Um dos mais famosos é o Arma X, que mostra como o governo aproveitou o fator de cura acelerada do mutante, para implantar o metal mais resistente do planeta: o adamantium (um procedimento cirúrgico que mataria qualquer outro).

02

No cinema

A Fox, detentora dos direitos autorais para a produção de X-Man, viu o sucesso da franquia dos mutantes, especialmente Wolverine, nos cinemas e quis dedicar filmes solos para os mutantes. No primeiro, de uma série que seguirá com o filme da origem do Magneto, a empresa faz uma aposta arriscada: colocar um diretor como Gavin Hood (sem nenhum filme memorável no currículo) para preencher as lacunas da vida de um personagem famoso e ainda assim fazer sucesso.

No filme é contada a infância de Logan, quando manifesta pela primeira vez seus poderes e como enfrenta a luta com seu animal interior. Além disso, uma revelação nunca antes cogitada nos quadrinhos é apresentada, através de um parente direto de Wolverine – nesse caso, a liberdade de criação de uma adaptação para o cinema tornou até interessante a relação entre os irmãos mutantes, mas ficou superficial, ao não tratar do nome nascença de Logan (tratado nos quadrinhos Origem).

A história principal é focada no experimento Arma X, deixando para um rápido resumo de 15 minutos no prelúdio e nos créditos iniciais o começo da vida de Logan. Já adulto e integrado em uma força especial, Wolverine começa a questionar a razão de ser apenas uma arma na mão do governo. Na tela, as cenas de luta e pancadaria encantam os fãs de ação. Mas o excesso faz dos personagens apenas bonecos, como na cena inicial, em que o grupo de super-agentes invade um prédio, mata todos e só depois pergunta sobre o que procuravam. Nos quadrinhos, os métodos do governo em conseguir as coisas são mais sutis.

Outro aspecto que o filme peca no excesso é nas aparições especiais. Muitos personagens importantes para a história surgem e desaparecem de forma rápida, superficial, apenas para marcar presença. É como se com isso fossem criadas pontas para outros filmes. Mas o resultado é a superficialidade, como na história de Gambit, que é forçado a mostrar a localização de uma base secreta e, do nada, passa a ajudar Wolverine.

A organização Arma X ficou restrita ao sonho de William Stryker em busca de um soldado perfeito, quando, nos quadrinhos, é um projeto militar com influência em vários meios e de escala muito maior. No filme ficou claro como Stryker usa a filosofia dos fins justificam os meios, para convencer Wolverine a participar das experiências. Nesse ponto, o filme consegue mostrar muito bem o contraste e o conflito entre o animal Wolverine, e sua sede de sangue e vingança, e o homem Logan, preocupado com um amor e a vida simples.

As cenas de ação são bem coreografadas e o cuidado com figurinos e efeitos especiais deixa o filme com uma bela estética. Porém, Hollywood parece esquecer que muitas luzes não são suficientes para fazer brilhar um roteiro obscuro e apagado. Isso fica evidente quando se presta atenção na motivação dos personagens em suas ações, que simplesmente acontecem sem motivos claros, e nas ligações entre os personagens sem motivos.

A impressão final é que a produção de Wolverine: Origens tentou condensar quase 30 anos de histórias nos quadrinhos em 107 minutos, quando, na verdade, deveria adaptar as informações que tinha para a linguagem do cinema e focar apenas uma origem – a do protagonista das garras de adamantium. O filme é bom por ser o primeiro a tentar contar uma história tão nebulosa quando a de Logan. Mas para os fãs parece que os produtores sofreram do mesmo problema de amnésia que o herói, ao deixar de lado e tratar de forma tão superficial a origem de Wolverine.

Joel Minusculi
Que esperava bem mais do filme

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Watchmen – A Crítica

Posted in Cinema, Opinião by Joel Minusculi on 08/03/2009

Esqueça Batman, Homem-Aranha ou Super-Homem. Essa história não é simplesmente o esquema do “mocinho que enfrenta vilão para salvar o dia”. Além disso, a forma de apresentação da grafic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por David Gibbons, que serviu de base para o filme, foi considerada “infilmável” por muitos fãs da nona arte. Não bastasse, foram quase vinte anos até que a idéia saísse do papel, passasse por brigas judiciais pelos direitos autorais e fosse parar nos cinemas. Porém, agora, os vigilantes de Watchmen (Watchmen, 2009) estão sob o olhar do mundo inteiro.

No filme é mostrada uma versão alternativa da América: Richard Nixon é eleito pela terceira vez, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã (com a ajuda do Dr. Manhattan) e a Guerra Fria está a ponto de se tornar bem quente com as ogivas nucleares da União Soviética. Para piorar, o presidente institui um ato que proíbe qualquer justiceiro mascarado de atuar, principalmente depois dos problemas com os Minutemen. Enquanto isso, um antigo herói e arma do governo, o Comediante, é assassinado. Mas dessa aparente ocorrência policial comum, o antigo companheiro Rorschach vê uma trama de conflitos e conspirações que vai além de somente uma morte.

Das três tramas que fazem parte da grafic novel original, somente o conflito dos Watchmen foi mantida. Uma delas, os quadrinhos dentro do quadrinho dos Contos do Cargueiro Negro, vai ser lançados em forma de animação direto em DVD. Já a cronologia dos Minutemen, os antecessores dos Watchmen, é resumida de forma muito criativa e original nos créditos iniciais. Essa seqüencia, de pouco mais de cinco minutos, mostra do auge a decadência do primeiro grupo de heróis que fizeram parte dos grandes fatos históricos dos Estados Unidos.

Watchmen não é um filme de heróis convencional. Os vigilantes com grandes poderes são afetados pela sua responsabilidade. Tanto, que só o perfil psicológico de cada um renderia um estudo de caso. O elenco de atores pouco conhecido consegue passar a carga de dramaticidade de seus personagens, apesar de ser mostrado pouco da história pessoal de cada um. Quem não conhece os personagens pode ter um pouco de dificuldade para entender suas motivações. O filme também não é para qualquer um ver: cenas de violência, carnificina, ossos expostos, sexo, estupro e pouca consideração com a humanidade fazem parte da trama – para se ter uma idéia, a classificação do filme no Brasil é de 18 anos.

Para essa que é uma das mais audaciosas adaptações dos cinemas, os produtores de Hollywood apostaram em alguém que já se saiu bem em outro filme do gênero. Zack Snyder repete a fórmula usada em 300 e imprime seu estilo ao transformar quadrinhos em cenas. Ao exemplo do que fez com os espartanos, Snyder usou os desenhos de Gibbons praticamente como um storyboard, em uma fidelidade impressionante de poses e cenários. Também como na batalha de Termópilas, o diretor abusou da câmera lenta para valorizar a ação, mas o resultado final é interessante (destaque para o recurso usado na seqüencia da morte do Comediante, no início do filme).

Como outras adaptações para o cinema, o filme Watchmen não consegue passar para a tela toda a complexidade da trama criada por Alan Moore (tanto, que o autor não quis seu nome nos créditos). Não bastasse, o desfecho foi alterado, o que imprime a reinvenção que muitos diretores de adaptações gostam de arriscar. É uma história que tenta ser o mais fiel possível com a original, para agradar os fãs, e simples, para atingir um público diferente. O resultado final é uma ótima história, que não terá a popularidade que outros heróis tiveram, mas sacia parte dos fãs que esperaram tanto para ver esses heróis em carne e osso.

Joel Minusculi
Que confessa: a primeira vez que leu os quadrinhos não gostou

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Total Sushi Bar em Balneário Camboriú-SC

Posted in Comportamento, Opinião by Sal on 14/01/2009

Nas ondas da culinária japonesa


A culinária japonesa é aquela que não se encontra no cardápio de qualquer restaurante brasileiro e é muita, muitíssima apreciada por mim. Pois bem, trata-se de uma enorme variedade de pratos – os mais conhecidos dos ocidentais são os sushis e sashimis. Delícias saudáveis que quando bem preparadas por mãos hábeis são iguarias divinas.

Para muitos, a comida japonesa, de maneira geral, é excêntrica, com seus peixes crus, carnes, grãos, legumes, arroz branco e pouco tempero, porém, quem tem o hábito de apreciá-la sabe da sua principal característica: a saudabilidade (ô palavrinha invocada essa, hein?). E já que estou “falando” de uma alimentação saudável, nada melhor do que combiná-la com o verão.

Em Balneário Camboriú, conhecida por sua diversificada gastronomia, a comida japonesa pode ser apreciada de uma maneira bem curiosa: em um barco. O Total Sushi Boat, inaugurado há duas semanas, percorre a praia central enquanto os clientes experimentam a culinária oriental. Um detalhe: o passeio somente ocorre se todos os clientes concordarem, caso contrário o catamarã permanece ancorado no trapiche da Barra Sul.

Os empresários Arno Soares e Charles Margueron são proprietários do Total Sushi Boat. “Tudo começou há três anos, quando passei a comer alimentos mais saudáveis. Há cinco meses comprei o barco e o transformei em um restaurante especializado em comida japonesa”, me contou Soares, que é casado com a apresentadora de TV Bhabby Sá, e por isso batizou o restaurante com o mesmo nome do programa, vinculando a conhecida marca ao novo empreendimento.

O catamarã tem capacidade para 42 pessoas em sua área interna. É impulsionado por dois motores e possui todo o sistema de segurança exigido pela Capitania dos Portos. Segundo Arno, a intenção original era levar o restaurante para o Cachadaço, em Porto belo, e permanecer por lá até o final da temporada. “Não deu muito certo, em razão do vento forte naquela região, por isso decidi ancorar no trapiche da Barra Sul”, explica. O Total Sushi Boat teve sua prova de fogo durante a festa de reveillon organizada em cima da hora. “Foi um sucesso, os clientes aprovaram a ideia”, garante o empresário.

Além do passeio, o freqüentador do Total Sushi Boat conta com o melhor da cozinha japonesa. O rodízio oferece ao cliente uma grande variedade de sushis doces e salgados, shiitaki, hot-filadelfia e uma novidade para quem não aprecia peixe cru. “Servimos um salmão chapeado que é uma delícia”, garante Arno, tudo preparado com muita dedicação pelo sushiman Jéferson Ribeiro, que tem mais de cinco anos de experiência no assunto.

O empresário também abre o restaurante para eventos particulares. A embarcação tem capacidade para 42 pessoas acomodadas em mesas. Quando atracado, essa capacidade aumenta para 75 pessoas, pois existe uma área do trapiche exclusiva para o restaurante. Arno faz um convite para que as pessoas conheçam o restaurante e tenham uma experiência única de apreciar uma comida diferente, ao mesmo tempo em que desfruta da beleza do litoral de Balneário Camboriú. O restaurante funciona a partir das 19hs. Portanto, se você está em Balneário Camboriú e região ou está pensando em dar uma passadinha por aqui, não deixe de conferir essa novidade. Eu fui e recomendo. Vale muito à pena!

Ariston Sal Junior
Que se pudesse, comeria
Comida japonesa todos os dias

Censura

Posted in Crônica, Opinião by . on 19/08/2008

Era inverno. A festa era de noite e se estenderia por toda a madrugada. As duas garotas deveriam ter em torno dos 17 anos na carteira de identidade, mas quando escolheram a roupa tinham mais. Muito mais. Chegaram causando torcicolos e olhares para a parte traseira de seu corpo. Não escondiam pernas e coxas e pareciam não se importar se algo mais aparecesse.

Encontrei-as no banheiro. Enquanto uma ajeitava o cabelo, a outra subiu em um suporte para ficar com o corpo inteiro visível no espelho e olhar seu modelito. Ajeitava a saia para que ficasse estupidamente no limite da censura, nem menos (e nem mais, é claro).

O que elas queriam daquela noite? Nunca saberei, jamais tinha as visto antes. Nunca perguntaria. Mas dali a pouco um homem passou a mão justamente onde elas tentavam a todo custo fingir que queriam esconder com o pouco pano.

– Seu idiota! Não tem respeito por uma mulher?  – se indignou a vítima.

Ele não entendeu. Mas então por que a mostra do produto a sua frente e de graça? Penso que foi justamente isso que ele deve ter se perguntado, já que ninguém lhe disse que era só para olhar. Não havia ao menos um aviso!

E sobre respeitar uma mulher? Ele certamente não sabia. Nem ela.

Marina Fiamoncini

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Festival de Dança de Joinville

Posted in Comportamento, Música, Opinião, Vídeo by Renaralmeida on 28/07/2008

A noite dos Campeões do 26o Festival de Dança de Joinville, que aconteceu no sábado, 26/07, resumiu em grande estilo os 11 dias de apresentações. Toda a cidade foi tomada por corpos compassados nos mais diversos ritmos. Tanto praças, escolas e shoppings comportaram apresentações de dança no estilo ballet, jazz, street dance, contemporânea e popular. Mas o melhor ficava para o centro de eventos Cau Hansen, onde foram premiados os campeões.

Sobre o festival há muito aqui e aqui. O que gostaria de colocar nessas linhas são algumas impressões de alguém que, pela primeira vez, conferiu essa movimentação em Joinville – apesar de não ter a mínima coordenação motora para acompanhar o ritmo dois-um-dois na hora da dança.


Noite dos Campeões
1º lugar Balé Clássico de Repertório
Gran Pas-de-deux Cat. Sênior – Elisa.
26/07/2008

Em primeiro lugar, a impressão que tive é que 80% do festival é voltado para o ballet. Talvez por Joinville comportar a tradicional escola Bolshoi, mas houve momentos em que a própria platéia na noite dos campeões não agüentava mais tanto Pas-De-Déux. Mesmo assim, as apresentações do estilo clássico foram merecedoras da premiação – destaque para a companhia Conservatório, do Rio de Janeiro.


Noite dos Campeões
1º Lugar Danças Populares Conj. Sênior
Academia Corpo Livre.
26/07/2008

O estilo de dança popular encantou o público e, por incrível que pareça, a maioria dos primeiros lugares ficaram com escolas de ensino com projetos de dança (e não alguma academia renomada ou centro de dança específico). Aliás, a noite dos campeões fechou suas apresentações uma apresentação oriental da companhia Márcia Bueno, de  São Bernardo do Campo. (clique aqui e confira fotos do Click RBS da noite dos campeões)

Não sou um freqüentador assíduo desse tipo de espetáculo, muito menos um conhecedor de todas as regras de etiqueta e comportamento. Porém, um dos poucos pontos falhos de acompanhar as danças foi o público. Infelizmente não houve comportamento. Durante as apresentações finais, dos já vencedores, muitos na platéia davam gritos empolgados a cada movimento ousado e se comportavam como se fossem uma arquibancada em um jogo de futebol. Para dança de rua e ritmos mais agitados, tudo bem. Mas será que é mesmo necessário essa empolgação em estilos clássicos (e será que o público consegue compreender a mensagem que a dança quer trasmitir) com tanta agitação?

Opiniões de espectador frustrado à parte, como primeira vez em acompanhar um evento como este valeu (muito) a pena. A beleza dos movimentos e do espetáculo como um todo é capaz de provocar espasmos nos pés mais pesados à dança.

Confira abaixo a galeria de imagens feitas por Renara Almeida na Noite dos Campeões: Clique em cada uma para ampliar

Joel Minusculi
Que ficou com os pés inquietos durante algumas apresentações.

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Posted in Cinema, Opinião by Colaborador on 22/07/2008

Esses dias vi um filme que me chamou a atenção por se muito confuso e surreal. Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004) é um longa que mostra a vida de um casal apaixonado na “crise dos 2 anos”, Jim Carrey interpreta Joel um cara calmo, quieto e ponderado, Kate Winslet é Clementine, uma mulher impulsiva e falante. A história é: Joel fica magoado, por sua esposa tê-lo deletado (literalmente) de sua memória. Inconformado, resolve retribuir na mesma moeda e procura o Doutor Howard Mierzwiak para passar pela mesma experiência (uma espécie de Lavagem Cerebral). No decorrer da operação, Joel percebe que, na verdade, ele não quer excluir Clementine de sua vida, e sim manter bem viva em sua memória os momentos em que estiveram felizes. A partir de então, ele enfrenta uma incrível luta dentro de sua própria cabeça para que essas memórias continuem vivas dentro de si, em mais uma loucura sensível de Charlie Kaufman. O filme precisa que o telespectador tenha muita atenção para entendê-lo. É um filme fantástico, que envolve o drama e a tristeza da separação. Assistam!


Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Site Oficial: www.eternalsunshine.com
Direção: Michel Gondry

Anamélia Araribá
Visitem: eitacoisa.wordpress.com

Dezesseis motivos que levaram deus a não receber um diploma universitário

Posted in Comportamento, Opinião by William on 17/07/2008

1. Ele só teve uma grande publicação.
2. Ela estava escrita em hebreu.
3. Ela não tinha referencias bibliográficas.
4. Ela também não foi publicada em nenhum grande jornal.
5. Alguns duvidam que ele tenha mesmo escrito o livro.
6. Pode ser verdade que ele tenha criado o mundo, mas o que ele fez depois disso?
7. Seus esforços cooperativos tem sido bem limitados.
8. A comunidade científica passa muito tempo discutindo seus resultados.
9. Ele nunca entrou com um pedido no Conselho de Ética para permissão com testes em humanos.
10. Quando um experimento seu dá errado ele tenta esconder os resultados e sumindo com os alvos.
11. Quando os sujeitos de teste não se comportam como o esperado, ele é deletado das amostras.
12. Ele dificilmente ia dar suas aulas, apenas dizendo aos estudantes lerem o Livro.
13. Alguns dizem que ele deixou seu filhos dar algumas aulas.
14. Ele impediu seus dois primeiros alunos de aprender.
15. Apesar dele ter apenas dez perguntas na prova, quase todos os estudantes vão mal nas provas.
16. Seu escritório é pouco freqüentado e ele normalmente fica no alto de uma montanha inalcançavel.

William De Lucca
Que não acredita em deus

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