A Marca do Desejo

Posted in Poesia by Sal on 27/10/2007

Feche os olhos!
Vê o escuro?
Estou brincando na escuridão
Estou no centro do escuro que você vê!

 

Posso ouvir os seus gemidos!?
Vê — É fascinante!
A lua é linda até pela metade
Jóia serena — Imaculada!

 

O mundo gira
Meus olhos saltam as órbitas
Está acontecendo no seu cérebro
O mar está mais selvagem do que nunca

 

Ouça!
Procure no escuro!
Sou eu quem chamo
É você quem impera!

O Rei está nu com a sua poesia
O Rei está nu com a sua ironia
O Rei está nu com a sua fantasia
O Rei está cru
Porém você não está nua
Sou eu quem chamo
É você quem é lua!

 

Veja os sinais
Liberte o que há em você
Não posso te acordar
Desperta sozinha!

 

A palavra é o objeto
O grito é a marca do desejo!
Uma estrela não se mostra o tempo todo
As flores continuam sendo esmagadas pela hipocrisia

 

Posso desvendar os teus segredos!?
Vê — É adorável!
O Sol além de astro é rei
Se oferece mas não se entrega!

 

Estou em busca de uma coisa que não tenho
Sou uma vítima de mim mesmo
Sou o palhaço do mundo
Sou o meu próprio alimento
Sou o vôo soturno
Me ofereço mas não me entrego!

 

Sinto frio!
Sou Vasto!
A solidão é o preço a ser pago!
Tenho a alma frágil!

 

Vê — Há lágrima em meus olhos!
Há mágica no ar pra realizar teu sonho!
Grite!
Qual o nome da tua alma?

 

Feche os olhos!
Procure pela minha língua!
Ela está na sua boca
Despudoradamente mágica!

 

O amor se esconde
Para ir ao encontro de quem o procura!
A praia murmura sábias frases cristalizadas
Pra executar o vôo noturno
Nas direções desejadas!

 

por Ariston Sal Junior

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Hoje!

Posted in Poesia by Sal on 10/10/2007

 

 

 

 

Hoje eu apaguei meu sol
Pra não sangrar tua lua!
 
Hoje eu bebi meu mar
Olhando tua cara nua!
 
Hoje eu flutuei no ar
Pra não pisar seu manto!
 
Hoje eu consegui chorar
Pra secar seu pranto!

 

 

 

por Ariston Sal Junior

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Trova

Posted in Poesia by Sal on 24/09/2007

 

Ariston Sal Junior
Balneário Camboriú – fevereiro/2006

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Como Uma Prece Orada Com Fervor

Posted in Poesia by Sal on 24/08/2007


Como uma prece orada com fervor
Rogo sua presença
Tento manter o equilíbrio adornando teu coração
Catando estrelas nos seus olhos
Faço do seu pedido minha crença

Aguardo sangrando promessas que não fizemos
Escrevo num salmo seu imaculado nome
Não vale minhas lágrimas sobre a tempestade
Ou o alimento de suas palavras
Se é pelo seu corpo que tenho fome

Guardo teu mistério bem trancado numa arca
Purifico no bálsamo de seus lábios o meu medo
Nenhum sacrifício executado, nenhuma pedra atirada
Não é heresia te aspirar cada sílaba sagrada
Ou sonhar suave a primavera de teus pêlos

Como uma prece que não fizemos aguardo sangrando teus mistérios
Transformo seu pedido em minha profecia
Mantendo o equilíbrio no vale de seus olhos
Rogo cada sílaba sobre a tempestade
Sonhando suave estrelas setecentas vezes ao dia…

 

 

 

por Ariston Sal Junior

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Um Romance Noir

Posted in Poesia by Sal on 20/07/2007

Foi quando ela entrou pela porta dos fundos
A cidade fez-se mais silenciosa que de costume
A cortina de fumaça pelas largas avenidas remetiam a um romance noir escrito na 3º pessoa
Os carros cintilavam seus faróis nas grossas gotas da tempestade
Ela era a heroína de cinema mudo, com sua imagem irretocável
Exceto pelo rímel borrado por uma gota que insiste em escorrer por sua face

Muda, completamente alheia ao temporal
Cambaleante a cidade acolhe seus pensamentos
Encolhe seus medos…
Não era para ser assim”, ela sussurra num tom grave abafado pela canção

Quantos acordes cabem na canção?
Quantos cigarros amassados no cinzeiro
Serão necessários para lhe mostrar que a sorte lhe sorriu e se foi
Ela deixou escapar…
Não soube manter…
Errou na escolha

Foi quando ela sentou-se a mesa ao fundo do bar
O som da banda soou mais contundente que de costume
O salão enfumaçado pelos cigarros
Os olhos acesos reiteravam a promessa que não foi feita
Como num filme classe “C” recheado de clichês
A luz sobre o veludo verde
A luz dos seus olhos verdes
Ela era a heroína de um romance “pulp”
Com seus sonhos em branco e preto
Exceto pelo seu desejo secreto
Borrado pelo batom de meus lábios…

 

por Ariston Sal Junior

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Pra Te Compor

Posted in Literatura, Relato by Sal on 12/06/2007

Por Sal para Dani

Pode até soar engraçado
Eu tentando lhe dizer num tom sóbrio
O quanto gosto de você

Meio perdido em palavras
Um bocado atrapalhado
Seria mais fácil por telepatia você entender

Já havia tentado poesia, canções de amor…
Mas não encontrei nas artes a via
A melhor tradução para te compor

Tentei me inspirar em Drummond,
Em Neruda
E até mesmo no velho Vinícius e seus sonetos
Até estava indo bem no início,
Mas cedo vieram os tropeços pra declamar seus olhos
E esse brilho que me entorpece

Embalei-me nas canções do Roberto
Aprendi nas canções do Chico
Mas você sabe… Tem coisas que a gente esquece

E mesmo num filme do Almodóvar,
Ou uma adaptação de Shakespeare pelo Zefirelli
Nenhum argumento do Charlie Kauffman,
Nem De Niro num Scorsese,
Ou Brando num Bertollucci,
Nenhum efeito de Lucas com um final do Spielberg…

Não há roteiro para te filmar
Não há seqüência para te rodar
Não há letra para te cantar
Não há música para te tocar
Não há poesia para te exaltar

Pois todas essas manifestações reunidas
Por mais inspiradas e mais expressivas
Ficarão em débito, com uma eterna dívida…
Para definir o que é te amar!

 

Ariston Sal Junior
Que é romântico à moda antiga, do tipo que ainda manda flores

 

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